sábado, 12 de dezembro de 2009

Sobre Afetação

.Tantas fotos suas. Você em pedaços no chão da minha sala. Não era esse fim que eu tinha planejado embora soubesse desde o começo que... Espera aí, não houve começo, não houve nada: só uma tentativa fracassada de ter você, que eu amava. E você quase não me enxergava.

.E agora olhando você em pedaços, com expressões diferentes no chão da sala, tantas vezes, tantas cenas imaginei pra mesma expressão de felicidade que você tem em uma dessas fotos. Com seu sorriso cínico de canto de boca e seu olhar dissimulado.

.E como se você fosse um assunto superado e eu um acidente esquecido você consegue me encontrar no meio de uma praça qualquer e me parar pra conversar, como se dissesse: "Oi, me fala um pouco da sua vida e pergunta um pouco da minha também, me deixa te tocar e sentir o tamanho das cicatrizes!".

.E como se você fosse um assunto realmente superado e eu um acidente esquecido, te deixo me tocar e finjo que o que você sente são cicatrizes e não feridas ainda abertas. E sorrio. O meu sorriso afetado de te fingir que não sinto dor...


Obs: Obrigado por voltarem, uma vez mais.

domingo, 22 de novembro de 2009

Sobre Existir Saudade

Então diz vai, que eu tenho prazer em ouvir. Supor é um campo muito vago pra mim, meu bem. Então diz, é tão simples, diz que sentiu falta, que sentiu falta das minhas unhas vermelhas cravadas nas suas costas, diz que sentiu falta dos suspiros que eu te fazia dar quando passava meus dedos de leve na sua nuca, ou quando passava pela casa só de calcinha indiferente às suas reações, ou que sentiu falta de quando eu roçava meu pé frio na sua perna durante a madrugada. Mas diz, diz porque eu preciso ouvir você dizer que sentiu falta das minhas gargalhadas cretinas nas horas mais impróprias, ou pelos seus tropeções, ou pelas suas palavras erradas. Diz que sentiu falta da minha mão subindo a sua perna por debaixo da mesa, deixo até dizer que sentiu saudade da sensação de caminhar de mãos dadas só pra reparar o olhar invejoso de quem observava você me segurando firme, como se eu pudesse escapar a qualquer momento, e eu podia. Pode dizer, diz que sentiu falta de eu corrigir como você come, como você bebe, como você anda, e se veste.
Diz que sentiu falta da minha mania idiota de te escrever recadinhos em guardanapos de sinuca, karaokê ou de um boteco qualquer, que ria sozinho ao se lembrar das minhas imitações dançantes na sala de estar em plena madrugada, que sentiu falta das minhas roupas espalhadas pela casa e dos meus cremes no banheiro. Diz que sentiu falta do meu cheiro e cheirou todos os dias aquela peça de roupa que eu esqueci em sua casa, mesmo sabendo que ela perdeu o meu cheiro depois da segunda semana. Diz que me imaginou rindo de cada piada nova que você aprendia, me desejou em cada lugar que conhecia e me lembrou em cada lugar que freqüentávamos. Que sentiu falta do meu beijo, do meu toque, do conjunto sacana de olhar e sorrir insinuosamente.
Diz, por favor que sentiu falta de alguém pra chamar de minha namorada, diz que sentiu saudade de me olhar de cima à baixo, de lado e do avesso, diz que sentiu saudade de ficar a sós comigo, naquela cama apertada, de adormecer nos meus braços enquanto eu te fazia carinho, diz, que sentiu saudade de chegar quase amanhecendo em casa porque eu ocupava você até tarde, diz que sou a sua mulher, a única, a primeira, diz que sentiu saudade de acender meus cigarros e de sentiu meu gosto nele, diz que sentiu falta do meu gosto mais íntimo na sua boa, diz que sentiu falta do meu cheiro e do meu cabelo e do meu toque, diz que eu faço uma falta absurda na sua vida e que sem mim ela desanda.
Então diz, por favor, diz. É que amor deixa saudade e se não tem saudade você sabe.. não existe mais amor.


Obs: Aceito sujestões, críticas e elogios. [ Bom, na verdade, ultimamente, necessito deles. ] Então, fiquem a vontade.

quarta-feira, 21 de outubro de 2009

Sobre Evitar Despedidas

Eu corri pra alcançar o taxi, eu corri. E acabei fazendo um tchau de despedida sem você ver, eu acabei vendo você dentro do taxi chorando de cabeça baixa como eu não queria ver. Sempre achei piegas despedidas e choro em rodoviária, aquelas pessoas tornando público seus sentimentos, lágrimas, tristezas, coisa de 3º mundo, não se vê igual nos EUA, bando de frescos, eu sei, frescura minha? Não, Máscara pra esconder o meu medo! Não queria te ver partir, tenho medo de você não voltar e a única coisa que eu lembrar ser você partindo num ônibus nacional verde e amarelo me dando tchau enquanto choramos complacentes. Coisa idiota nos esconder atrás de mentiras, mas é que se eu te contasse o meu medo você me contaria a maior de todas as mentiras ‘eu nunca vou te deixar’, um desses atenuantes lugar-comum que eu sempre gostei de evitar.

- Eu to pronto, a mala também.

Eu quis chorar, quis pedir que ficasse mais um dia e fazer aquele drama que toda namorada sabe fazer. Mas pra que? Você tinha mesmo negócios pra fazer, não podia ficar então eu não pedi.

Eu: - Eu queria que pudéssemos passar mais tempo juntos daqui pra frente. Eu sinto sua falta!

Eu olho pra você, pra não olhar pra sua mala e é engraçado como aos poucos parece que, tão simultaneamente, descem as primeiras lágrimas dos nossos rostos. Eu não gosto de chorar com você aqui, você sabe. Pra mim, chorar de saudade é coisa pra se fazer ao telefone. Todos os meus momentos com você têm que ser alegres, porque quando estou com você é tudo tão perfeito.

Ele: - Eu chamei o taxi, se não eu perco o ônibus.
Eu: - Eu ainda tenho tanta coisa pra falar. Ainda tenho cinco minutos com você, não é?

E acaba sendo engraçado o quanto esses cinco minutos são tão preciosos pelo tanto de cinco minutos que desperdiçamos, hora a hora, dia a dia, mês a mês. E eu que sempre acreditei muito em TOQUE só sei ficar perto de você esses ‘os mais valiosos cinco minutos de cada mês’. E Esses são os cinco minutos mais perigosos na vida de um ser, é quando se diz grandiloqüências com absurda facilidade (coisas como Sempre, Nunca, Toda a minha vida, O maior de todos). Nesses 5 minutos tudo tem uma afetação maior que em qualquer outra situação.

Eu: - Eu adorei esses últimos dias, os meus dias com você são sempre melhores, e sempre fico lembrando depois de nós dois fazendo amor nessa poltrona que você adora, acabo fazendo dois cappuccinos sem perceber, enquanto da cozinha eu converso sozinha achando que você está na sala com as pantufas ridículas que eu comprei pra você usar e achando que por causa delas eu vou rir de você e você pra mim.

[Porque quando eu disse: “Você fingi tão bem que adorou as suas pantufas de coelho que combinam com as minhas de coelha fêmea que eu nunca vou saber se é só fingimento ou se você realmente gostou” Você balançou a cabeça dizendo que não com o sorriso e eu continuo sem saber se é "não, eu não finjo meu bem" ou se é “não você não vai saber”]
-... Então eu volto pra sala com duas canecas na mão e acabo me encolhendo nessa poltrona enquanto o seu cappuccino esfria na mesinha do lado do telefone... E Eu queria dizer que eu sou a mulher mais feliz por ter você e que a saudade me corrói todos os dias e horas em que você não está e que não há no mundo alguém que te ame mais do que eu. Saudade já. Eu te amo.

E é claro que eu custei a dizer tudo isso afinal não é um exercício fácil falar, chorar, fumar e respirar ao mesmo tempo. Você repetiu as juras, você é tão lindo.
O taxi buzina.

Eu: - A gente pode fingir que vai se ver amanhã, como sempre?
Ele: -Claro, até amanhã.
Eu: -Quer que eu te leve até a porta?
Ele: -Não fique deitada, amanhã de acordo com um monte de beijinhos como você gosta.
Eu: -Tranque o portão, feche as janelas, apague a luz, e saiba que eu te amo [cantarolando].
Ele: - Eu amo você, muito.

Eu você saiu, eu ouvi o barulho da chave, mas me ative ao eu te amo, se você nunca voltasse... Seria o eu te amo que eu me lembraria, até conseguiria ouvir de novo. Eu não sentiria tanto a sua falta até a próxima vez, eu não sentiria tanto medo, tanta angústia. Mas sabe deu tudo errado, dessa vez quando olhei pra mesinha vi seu casaco e em milésimos de segundos pensei que havia avisado pra não esquecer, aquela velha frase do “eu disse, eu disse”. Com medo de que você sentisse frio, eu peguei e corri pra que eu pudesse te entregar. 7 segundos a menos, 7 segundos a mais, pra que eu alcançasse, pra que eu nem visse. Mas eu vi. E fico com a impressão de que aquela foi a minha despedida e despedida é pra quem sabe que não vai voltar.

Por isso essa carta, eu sei que combinamos que não seria possível nos ver mais de uma vez ao mês, mas hoje faz um frio insosso, e deu no jornal que fará a semana toda e a minha previsão pra essa semana inteira é ficar olhando a sua caneca que esfria do meu lado, enquanto choro como uma criança abraçada à sua blusa, encolhida nessa poltrona que você adora com as pantufas de coelho macho pra esquentar os pés.

Deveria ser proibido fazer frio na casa de quem não tem um amor presente, mas não é, infelizmente não é, e é em dias frios que a saudade é mais cruel, você sabe. Por isso essa carta, esse pedido de socorro, pra que venha, que venha logo, que nesse ano o frio chegou na primavera, e sem se quer dar chances pra minhas plantas florescerem.
E só há uma coisa pior que a saudade no frio, é pensar que a gente, por um acaso, um acaso que chega a rir na minha cara de tão debochado, o pior, é pensar que a gente, por acaso, teve mesmo uma despedida e despedida você sabe... É coisa pra quem sabe que não vai voltar.


Obs: Perdoem-me o sumiço.

quinta-feira, 24 de setembro de 2009

Sobre uma amiga em Portugal.


Uberlândia, MG, Quinta Feira, 24 de setembro de 2009

Raíza Moraes

Oi. Queria começar dizendo que desejo que você seja imensamente feliz. Que fico daqui imaginando você sendo feliz no meio de um campo de flores, ou um jardim, imenso, desses que a gente se perde no meio de girassóis ou de qualquer outra flor que seja grande e alta.

Tanta coisa aconteceu, o tempo passou tão rápido. Seis anos e a vida desaguou nisso. As oportunidades e possibilidades são tão grandes que parece que a gente desaguou no mar. E eu adoro o mar. E você adora a vento da pedra mais alta na beira do mar.

Tenho medo da vida, tenho medo de viver às vezes. Ir perdendo as pessoas por esses caminhos tão largos que a gente passa. Você mais do que eu sabe como é perder, não deveria querer perder mais nada e é só por esse teu medo de perder que ainda temos esse carinho uma pela outra. Você não pensa que quando sentir saudade, um dia, daqui a dois anos, poderá me ligar, poderá me encontrar, poderá ir atrás de caminhos pra que nossas vidas se cruzem de novo mesmo que por um instante, você sabe que não é assim. Mas eu também sei. Por isso essa carta.

Queria tanto estar mais presente na tua vida, queria isso mesmo antes de você se mudar de bairro, de cidade, de estado, de país, mas o meu ego sempre me trai. Meu orgulho sempre me trai.

Não temos mais trocadilhos, não temos tempo reservado no dia-a-dia uma pra outra e não temos mais piada interna, não vê? Não vê como foi diferente aquele dia, depois de tantos meses, se ver se torna diferente, se torna um botar de conversas em dia, se torna um relembrar de momentos distantes e felizes. Tão decadente.

Eu sempre fui utópica, queria uma amizade pra sempre, mas nós sabemos que não é assim. Que é que nem jardim como diria meu bom e velho Caio Fernando. Mas acho também que você e eu temos um pouco da euforia daquela nossa velha amiga. Nós também não sabemos lidar com amizades velhas e novas, já pensou nisso?

Já tive várias amigas, mas nenhuma delas me ligava pra poder vir na minha casa ver filme e comer pipoca, sair e dormir aqui em casa. Não perca esse teu jeito. Nenhuma das minhas amigas foi como você. Claro, cada um é único e coisas do tipo.

Eu queria ter estado na festa de despedida, ter te dado um abraço, ter escrito meu nome em uma camiseta, em um caderno, em algumacoisaquefossepralevardelembraça, eu queria ter gravado um vídeo ensandecida e bêbada num dos seus últimos dias no Brasil. Mas isso não é um pedido de desculpas, afinal, haviam circunstancias que me impediam disso.

Nunca achei que teria uma amiga viajando pra outro país, mas nesses últimos dois anos acreditava fielmente na tua capacidade de chegar tão longe... Você gosta de voar e isso é o que há de mais bonito em você.

Não quero me estender, cartas são pra dizer coisas importantes e geralmente coisas importantes são pesadas demais e pequenas demais quando passadas para o papel. Mas ainda queria dizer tanta coisa...

Moça branca como a neve* não se perca, estude, cumpra seus propósitos e fique enlouquecida nas noites em que sentir saudade, fique bêbada, que tenha um ombro pra chorar as faltas que sentir, que tenha sempre um amigo por perto, se não algum amigo, que tenha ouvidos sempre por perto. Eu vou ficar daqui imaginando aquele campo de flores, ou um jardim, imenso, desses que a gente se perde no meio de girassóis ou de qualquer outra flor amarela ou vermelha, que seja grande e alta e você no meio se perdendo e sendo feliz.

“Fique feliz, fique bem feliz, fique bem claro, queira ser feliz. Você é muito lindo e eu tento te enviar a minha melhor vibração de axé. Mesmo que a gente se perca, não importa. Que tenha se transformado em passado antes de virar futuro. Mas que seja bom o que vier, para você, para mim.”[C.F.]

Eu te amo. Sinto saudade.
Um grande beijo.
Adrielly Soares.



Obs: *Cantiga Pra Não Morrer – Ferreira Gullar.

sexta-feira, 11 de setembro de 2009

Sobre Corações.

De nada vai adiantar as declarações que eu fiz, de nada vai adiantar com quem eu briguei, com quem não fiquei, a que tentações eu resisti, a que lugares eu evitei ir pra não causar brigas, nada vai adiantar não é? Nada vai adiantar a saudade que deixou o tempo que passamos uma do lado da outra, nada vai adiantar ter gritado no meio daquela multidão o meu amor por uma pessoa do mesmo sexo sem me incomodar com a retaliação do pensamento e das ações alheias.

Um dia ainda aprendo que não importa o que eu fizer POR você isso será sempre menor do que o que eu fizer PRA você. Não adianta falar vinte e cinco vezes o quão você é inteligente se um dia quando eu brigar com você eu te chamar de ignorante. Ah já me ensinaram que as mágoas são sempre mais importantes que os amores, mas eu fiz questão de não aprender... Quando essa lição era passada na escola da vida eu matava aula, sempre achei muito entediante guardar rancor ao invés de amores.

O que você vai ganhar com isso? Um coração solitário escuro e podre no fim das contas, porque ninguém se dispõe a cuidar de um coração podre, isso eu te digo, ninguém gosta de pegar corações com uma carga demasiada grande de sofrimentos, capotes e acidentes.

“É parece estranho, quando mais frágil um coração mais ele é solitário!”, você diz, “não”; eu digo, os corações escuros e podres não tem nada de frágil, são os que mais aprendem a revidar, a magoar, a ferir, parece que estão sempre rodeados de arames farpados e cercas elétricas que se acionam no menor sinal de aproximação alheia.

E você diz que eu falo o que me convém, e você diz que eu faço o que me convém, você diz que eu só penso em mim, você diz que eu não penso em nós duas. Eu, logo eu, que fiz questão de afastar de nós duas, afastar da nossa frágil fortaleza, qualquer vento, qualquer brisa, qualquer maré que pudesse nos destruir, eu que fui me afastando das grandes paixões platônicas, que fui limitando lugares e pessoas as quais eu podia sair.

Quando você dizia “a gente é muito diferente” isso sempre soou como um desafio pra mim, não, desafio não, isso soava como um motivo de orgulho pra mim, porque enfim depois de tantas diferenças estávamos nos dando bem, estávamos levando a diante, passando por cima não é assim como se diz? Mas da última vez em que você disse “mais uma grande diferença” isso soou como um empecilho, me pareceu que éramos duas tolas lutando por nossos caprichos tentando passar por cima da maior semelhança; a do sexo, e das maiores diferenças; de personalidade.

E eu que nunca quis admitir que nós fossemos como água e óleo, eu que sempre achei que nosso destino seria diferente, seria especial, você já se pegou pensando quantos namorados já não pensaram que a história deles era especial? Qual a chance de uma história ser especial? Uma em um milhão? Qual a chance de saber que somos especiais?

É meu amor, as coisas vão acontecendo de maneira inesperada e a gente se assusta com cada novo capítulo dessa história. E eu que vivo repetindo se amor é suficiente só pra que você me diga sempre a mesma resposta, “claro que amor é suficiente, amor é tudo.”. Porque é que você não usa esse amor pra passar por cima das coisas que acontecem? Eu não entendo você meu amor.

Afinal essa é só mais uma grande diferença não é? Só quero que saiba que o meu coração não é preto, não é podre, portanto não é, não será, nunca, um coração solitário, mas o seu se ficar carregando essas mágoas ficará... Ficará sim, meu amor. Tome cuidado. Não quero ver você uma pessoa solitária e triste. Releve as besteiras ditas e feitas porque eu prometo te fazer feliz até o fim dos dias. Seremos somente dois corações vivos e pulsantes, reluzindo mais que todos os outros a nossa volta.


Obs: chega logo primavera, minha melhor estação. *-*

segunda-feira, 24 de agosto de 2009

Sobre Meme.

Felipe...

Acho que nunca havia reparado em como a sua aura é calma. Jogado assim nu, em cima da sua cama. Você me lembra os melhores filmes de paixões catastróficas à la Daniel Cliver. Cara, e como você é bonito enquanto dorme? E Eu não tinha reparado em como eu fico sexy nas suas camisas.

Hoje, quando acordar, faça uma panqueca, uma só, eu não fui fazer caminhada, nem Cooper, nem dar satisfações a minha governanta, ou pegar mais grana do meu marido no banco. É que ele chega hoje de viagem e eu fui embora, de vez, entende? Não vou voltar pra tomar café da manhã, ou pro sexo matinal, ou na semana que vem, de verdade.

Você lembra quando eu te disse sobre as sessões de terapia? Você disse que era besteira, claro, meninos da sua idade pensam que podem confiar em Deus e o mundo. Na minha idade só se acredita em padre ou terapeuta, porque nunca os dois juntos. Numa dessas sessões eu falei sobre você e eu me senti tão ridícula. Socialite-cinquentona traindo o marido-rico com um garotinho-da-academia-trinta-anos-mais-novo. Como soa pra você? Não ri, não ri, não. Pra mim, soou péssimo.

Você é lindo, trepa maravilhosamente bem, é todo durinho, fala de sacanagem como ninguém, primeiro carro, futuro traçado, cursando faculdade, herdeiro de grande empresa, sem filhos, sem plástica.. Quem me dera tivesse conhecido alguém como você quando mais nova.

Desde que te conheci tinha em mente que eu não era mais uma menina de 16 anos traindo o namorado, sempre me pus no lugar certo na sua e na minha vida, claro. Você não vai casar comigo, nem querer uma cinquentona como namorada, você não vai fugir comigo, eu não vou deixar minha segurança por você, não é materialismo cara, até porque você é herdeiro de toda aquela empresa, a questão é que é uma vida toda de companheirismo, sou o que sou por ele, e ele é o que é por mim, vinte e cinco anos de casamento, você podia ser meu filho, aliás, o meu filho tem a sua idade, podia ser teu amigo..

Depois de você virão outros meninos-da-academia, ou da auto-escola, ou do shopping, ou os próprios amiguinhos do meu filho, porque não? Mas não tenha ciúme, não mais, porque agora eu já fui embora, não vou voltar, mas saiba que embora não tenha sido o primeiro garoto com quem saí, foi o único que passou de três encontros, é claro, você foi o melhor. Eu to sendo sincera, meu garoto. Não falo só de sexo, você me entende?

Não venha atrás de mim, como das outras vezes, e pra facilitar, vou mudar a academia, e não vou passar mais aqui por perto, mas se me vir pela janela, não desça, não grite, me deixa só olhar você, como você costuma ficar olhando por ela, olhando ao longe pro edifício daquela empresa e dizendo: ‘um dia chego lá, você vai ver, vou comandar aquilo tudo’. Eu acredito muito em você, independente do que o sacana do teu pai diga.

Sei que você gosta de mim, é diferente de todos os outros que eu comprei com o dinheiro do meu marido-sempre-ausente, você eu comprei com meus beijos, minhas lambidas, meu caráter duvidoso, minhas risadas, minha personalidade e meu charme de mulher-de-meia-idade-carente-que-trai-o-marido. A cada vez que penso nisso me soa mais ridículo. Eu amo você mesmo que nunca tenha te dito, assim como você me ama, como sempre diz, me faz sentir tão bem saber que ainda tenho o poder de conquistar um homem, saber que eu não preciso pagar pra que saiam comigo. Você me faz sentir tão independente, tão jovem e se sentir jovem na minha idade é um perigo, meu garoto, porque é aí que as mulheres começam a querer esconder as marcas da idade, o que eu nunca aceitei.

Esse mês que passei com você não se compara em nada com esses 25 anos de casamento. Mas acabou. Eu amo você, como a paixão mais juvenil que nunca senti, e é por isso que tenho que ir embora. Você me perturba e eu não aceito nada que possa me perturbar, mesmo que seja você, meu garoto. Mas confesso que ainda não sei como vou sair porta a fora, sem voltar.

Não sofra, tudo que nós vivemos foi lindo, mas, ainda assim, foi errado, entende? Não que eu esteja arrependida, nunca, mas eu sou casada. Eu sou uma fodida que encontrou o amor aos cinqüenta anos em um caso extraconjugal com um menino de vinte e dois anos.

Eu sentia sua falta antes de você chegar à minha vida e vou sentir falta quando se for. Eu tinha tanto medo de nunca viver um amor, cara. Mas por só ter encontrado você agora, perdi meu instinto de arriscar tudo por amor, aquela coisa que a gente nasce com ela, mas se não exercitada a gente perde. É como a coragem que a gente tem de saltar de pára-quedas quando é novo, eu não saltei e com a idade adquiri medo de saltar, de pular, de me arriscar. Me perdoe a covardia.

Você vai achar alguém que mereça você, uma menina linda e da sua idade, quem sabe na faculdade? Quem sabe no supermercado? Quem sabe na academia? Só não procure, não se acha nada quando se procura. Continue cuidado do seu lindo corpo, do seu lindo intelecto, cuide do seu inglês, faça nossa viagem pela Europa, pense em mim quando conhecer cada lugar que te contei, aquela sorveteria em paris, aquele brechó na frança. Cuide do seu coração, da sua casa, da sua herança, estude, cresça, e mostre pra todos a força e astúcia, que só eu vejo em você. Cuide da vida. E cuide também da cadelinha.
Enfim, cuide de você.
Eu amo você.
I miss you, since always, for ever.
Renata Vasconcelos.

Esta carta que escrevi faz parte de um meme proposto por Daniele Vieira. Foi proposto que os indicados fizessem uma carta como se rompesse com um certo alguém. A idéia da minha querida amiga escritora foi inspirada na exposição Cuide de Você, da francesa Sophie Calle, que convidou 104 mulheres para interpretarem um e-mail de seu ex-namorado que gostaria de romper o relacionamento de ambos. As regras do meme são as seguintes:

1.: Escrever uma carta como se você estivesse rompendo com o seu (sua) namorado(a);
2.: Escrever estas regras e uma breve explicação do que é o meme (como a que fiz acima);
3.: Indicar cinco pessoas.

São elas: Insolente, Fernanda [xuxu] , Carolina Cadima, Spleen rosa-chumbo, Alan
As cinco pessoas citadas acima, não tem obrigação nenhuma de fazer o que foi proposto, mas escolhi-as porque eu realmente gostaria muito de ver essa carta escrita por elas.


Obs: Ao contrário do que parece, escrevo cada vez menos.

sábado, 15 de agosto de 2009

Sobre Términos.

'' ela vai mudar, vai gostar de
coisas que ele nunca imaginou.''
Mesmo Que Mude - Bidê ou Balde.


Ela mudou o cabelo, mudou a cor, o tamanho, mudou o penteado. Mudou o esmalte preferido, agora ela só usa cores fortes, roxo, vermelho, laranja, não quer mais ser puritana, a noivinha, a namoradinha que usava renda, só usa grená. Mudou os horários, agora ela trabalha a noite, numa boate, pra receber cantadas. É um método eficaz pra levantar sua auto-estima. Mudou o que comia agora ela é vegetariana querendo se promover à vegan, só come carne de soja, cortou o ovo, tentando cortar o leite mas ela adora pão no café da manhã. Vive dizendo que não toma mais coca-cola porque ela é anti o imperialismo e ela agora diz que coca é o maior símbolo do imperialismo norte americano... mas quando se tranca no quarto ela toma uma duas latinhas e depois coloca as latinhas de refrigerante na mochila pra jogar fora no caminho de algum lugar. Mudou de curso, que nada de inglês, agora ela quer espanhol, fazer casas solidárias no Chile, na Bolívia, quem sabe entrar pra engenharia pra poder ajudar mais? Ou quem sabe fazer medicina pra ir ajudar em comboios de médios no Irã, Iraque, Oriente Médio em si. Mudou o lugar preferido no cinema, agora ela gosta de ficar do lado esquerdo, em cima, acha que é mais aconchegante. Mudou a fruta preferida, não é mais a laranja que ele com gosto fazia suco pra ela, nada de caixinha, suco com gominhos, sem açúcar, com um pouco de gelo, por favor, ela pedia... Agora ela gosta de cerejas, cerejas com Martini. Voltou a beber, passou a fumar, usar preto, usar saias curtas, nada de calças jeans, nada de camisetas, ela gosta mesmo é de regatas, decotes, boleros, nunca gostou de boleros, agora gosto. Nunca gostou de forró, agora dança, faz aula de dança de salão, inclusive. Adora gafieiras, parou de ir aos shows de MPB. Ela mudou tudo que podia mudar, por fora ela nada mais é agora do que o reflexo de uma desilusão amorosa, por dentro ela toda dor, toda podridão, toda escuridão, o coração se partiu e apodreceu ali dentro, ali mesmo. E como aquela flor que suga o podre pra florir lindas flores, ela usa a energia do coração que pulsa mais forte e negro, podre e aos cacos, pra viver, pra mudar, para experimentar, pra sorrir, mesmo que só por fora. Porque a dor sempre nos mostra toda vivacidade das coisas.


Obs: Boa Semana, minha gente.

quarta-feira, 22 de julho de 2009

Sobre Cartas

Bombinhas SC, Terça-Feira, 21 de Julho de 2009

Hello Stranger...

Te escrevo com tantas finalidades que nem devo enumerá-las, mas basicamente quero dizer-te como estou e te pedir desculpa.
Estou em uma casa de família como já deve saber, acho que contei isso no último recado que deixei em sua caixa postal. É como uma pensão. A senhora Silva aluga quartos e em uma época de baixa temporada essa cidade até se parece com um lugar normal. Se parece até uma cidade habitável. As roupas estão lavadas e passadas pela dona da pensão, a comida e a cama são feitas também pela Sr Silva. Ainda quero te trazer aqui. Isso se você ainda me quiser.

Escrevo pra dizer porque saí tão logo de Ribeirão Preto, escrevo porque sei que se eu disser todos os motivos você irá entender um recado tão seco em cima da mesa de centro e minha ausência na sua cama, sua casa, seu guarda-roupa e sua vida. Sim, a casa ainda é só sua, depois de três meses com você nessa casa, acordando e dormindo do seu lado, ocupando espaço com as minhas roupas e coisas, e ajudando nas tarefas de casa, ainda sinto que essa casa não tem nada de meu, nada que me faça sentir parte dela, ainda me sinto morando de favor com uma tia. Por isso saí daí. Acreditava que todos tinham um lugar que era seu e que uma vez fora dele a saudade e o desconforto eram tanto que lugar nenhum lugar os caberia, acreditava que casa era o que nos dava segurança e conforto e felicidade e proteção e naturalidade de gestos. Acreditava que depois desse um mês morando com a Sra. Silva eu ia me sentir verdadeiramente em casa aí no bairro do Planalto Verde.

Queria te dizer que a comida é excelente e que eu me senti quase que fazendo parte da família, me tratam tão bem, me desejam bom dia, se interessam pela pacata vida de um jornalista da cidade grande. A Sra. Silva tem dois filhos, uma garota de seus 20 anos ainda decidindo o que vai ser, o que com prova aquela sua velha teoria que nas cidades pequenas as pessoas podem ser nada se assim o quiserem, basta realmente se casarem com um homem que tenha uma renda que se comparada ao que nós almejamos se chamaria lamentável.

A menina é linda, cabelos lisos e pretos no Chanel mais perfeito que já vi, deve ter ido à cidade vizinha cortar (resquícios do meu velho preconceito com cidades pequenas). Corpo escultural, digno de canções como garota de Ipanema, ‘olha que coisa mais linda, mais cheia de graça’, peitos pequenos, e bunda simétrica ao seu porte. Seduz um homem como ninguém, ela é a graciosidade desse lugar, os garotos daqui são assanhados por ela. Mas não se preocupe, ela não desperta o meu interesse.

O outro filho tem 15 anos, é ele o meu companheiro, fica deitado comigo na praia sobre uma toalha nas noites tão estreladas que fazem aqui. Você ia adorar o guri, é cheio de espinhas, alto, faz natação, tem um preparo físico de dar inveja e se prepara pra um dia ser bombeiro. A beleza é coisa freqüente na família, mas a inteligência e a vontade de crescer e aprender ficou só pra ele. Acho que por isso ele grudou em mim desde que cheguei. Quer saber de tudo, como é a redação, imparcialidades, direita esquerda, prometi um estágio pra ele aí. Ficamos filosofando sobre mulheres e relacionamentos o tempo em que ele não está me perguntando sobre as pessoas e coisas e profissões, impressionante o quanto já aprendi com ele.

Eu descobri que precisava mais do que eu sabia de sair daí, de mudar de ares, de mudar de rotina, de círculo de amizades, de convívio social por gentileza. Não sinto vontade de voltar, nem de trabalhar na redação, se eu pudesse ficaria o resto da vida assim, sabendo das notícias pelos jornais televisionados e impressos e sempre contando com a internet, escrevendo minhas colunas de um lugar bem longe do tumultuo que é conhecer o tumultuo dessa cidade. Acho que é por isso que gosto tanto de São Paulo, não me sinto parte daquela bagunça, não estou inserido naquele contexto por isso aquilo não me afeta, por isso só me encanta. Imagina se esses meninos aqui vissem a loucura que é São Paulo.
Eu só mudaria uma coisa aqui, eu traria você.

Vou te contar mais sobre a minha rotina aqui. Acordo às 5h (quando você imaginou me ver acordar à 5h?), leio o que escrevi antes de dormir, escrevo o que tenho que escrever, tomo meu café às 6h e vou correr... 5 km todos os dias, no começo não foi fácil, mas agora me acostumei. Paro no fim dos 5 km e fumo um cigarro tomando água de coco, depois volto passeando lá pelas 9h da manhã. Ficaria espantada ao ver tantos cachorros em um só lugar. A cidade é pequena e todo mundo que tem cachorro vem aqui pra praia passear com eles. Vi um Ruski Siberiano e acabei parando na frente dele, acredita? Acho que achei que você estava comigo e como de costume parei pra esperar você falar com o dono do cachorro pra procurar um parceiro pra doce Luna. Ela realmente já está na idade de conhecer os desprazeres de ser uma cadela fêmea. Sem prazer e ainda grávida.

Os Silva também tem um cachorro, um Doberman, lindo, manso, com o qual me identifiquei assim que cheguei por ter os mesmos olhos doces e pidões de Luna quando me olhou na vitrine do pet shop. Eu te dei ela pra que pudesse te acompanhar quando fosse dormir, já que ainda morávamos em casas diferentes. Te dei pra que pudesse te proteger quando eu não estava por perto e espero que ela esteja cuidando de você. A Luna é tão doce que não teve ciúmes de mim quando me mudei pra tua casa.
Aqui não me sinto mais preso, nem com dores no corpo, nem com vazio intelectual. Não sinto o meu coração esmagado pelo barulho das buzinas no transito, nem os meus olhos ardendo pelos dias vazios e nem o amargo da minha boca pela poeira que sai dos motores dos automóveis. Aqui a minha mãe não me liga, meu chefe não me irrita e minha sogra não diz que a filha dela merece alguém melhor (espero que a filha dela não a ouça, apesar de ela estar tão certa).
Sei que você entende como é que eu sentia, sei que vai entender o motivo da urgência da minha viagem, sei que vai entender o motivo de estar tão longe nas últimas três semanas e sei que vai entender aquele recado seco na mesinha de centro. Mas escrevo também para pedir-lhe desculpas. Sei o quanto já discutimos por isso e o quanto reconhecer os erros é importante pra você, pra nós.

Não pense que eu estava cansado de você ou que não sabia o quanto você é importante pra mim, ou que você não é capaz de me curar ou que você não é parte da minha cura, mas sair daí era uma parte essencial do meu processo, e um processo que é só meu, passar por tudo isso era uma necessidade só minha, passar por todo esse processo doloroso, porque sim dói, dói se reciclar, dói ficar longe de você, dói ter que ser recluso, dói aprender a olhar pra dentro, e por isso não te trouxe, por isso liguei sempre nos horários em que você não estava em casa. Acredito que o processo tenha chegado ao fim junto com o mês e em poucos dias estarei de volta a sua casa. Sim, insisto, a casa é sua, porque descobri que aquele meu lugar, do qual eu falei no começo da carta, que nos dá segurança e proteção, esse meu lugar é VOCÊ. Seja em Ribeirão Preto, em São Paulo ou em qualquer lugar que seja, eu só quero estar com você.

Preciso que saiba que pensei em você todos os momentos, que desejei você por todos os lugares, tanto que ás vezes até via você com seu vestido de babados, ou seu biquíni verde. Volto agora por estar mais maduro, mais descançado, mais feliz e curado.

Volto porque sei que hoje consigo ser melhor pra mim e pra você, porque sei que era tudo o que você queria; não ver mais eu me destruindo cada dia mais.

Volto porque a única coisa da qual senti falta foi você, com seus tons de lilás e grená, com sua oscilação entre dó e mi bemol, suas intempéries e suas particularidades.

Volto com a certeza de que me esperas ansiosa com o seu pijama rosa, ao lado da doce Luna, com duas xícaras de café.

Eu te amo, com toda saudade.
Do sempre, sempre seu
Renato Alvarês.


Obs: Nada de compactar textos, sorry. ;D

terça-feira, 7 de julho de 2009

Sobre Jogo de Azar

Amor é jogo de azar, você sabe que as chances de ganhar são mínimas, mas e daí? Você quer correr o risco de ganhar, de acertar. Engraçado como ele acredita em tudo que eu digo... Se eu dissesse: Eu não gosto de sexo. Ele acreditaria. Mas eu não disse, claro. Você sabe que eu adoro um bom sexo, sexo selvagem, sem essas frescuras de menininhas, eu sou tua cachorra e você meu macho, não vejo nada de delicado no sexo. Um entrando dentro do outro. "É feio, violento e é bagunçado. E se Deus não tivesse feito ser tão divertido, a raça humana já estaria extinta há anos." você lembra? nosso episódio favorito, da série favorita. Eu me finjo de recatada, não pra fazer charme, é porque eu não estou afim, você entende? Você conseguiu ir pra cama com a primeira que pegou depois de mim? Ou ainda mesmo quando estava comigo? Você conseguiu fechar os olhos e beijar ela sem lembrar de como eu fazia? Você pediu pra ela ficar de quatro como me pedia? É engraçado, eu e ele aqui no quarto, sozinhos. Ele faz trabalhos pra mim, ele me leva pra sair, ele me chama de amor, ele me liga durante a tarde, ele programa saídas comigo, ele me apresenta pra família, mas no fim, quando estamos sozinhos é como se fossemos primos. Se fosse você aqui, você acha que estariamos fazendo trabalho de faculdade? Se fosse você aqui, você já teria me atacado, me deitado nessa cama ou então iria querer sentir meu sexo na sua boca. Seu grande sacana, você fez tudo certo não foi? Tudo bem, eu vou tentar... Encosto no ombro dele enquanto ele digita o título do meu trabalho que eu fiz questão de nem opinar. Casaco de frio de preto, cheiro bom, fexo os olhos e me lembro que ele tem seu cheiro, seu mesmo perfume, o mesmo, acredita? Eu digo que ele cheira bem e ele agradece dizendo que é o cheiro dele, eu rio, sem explicar, que é pra não constranger, que é pra não embaraçar, que é pra não dizer que me lembrou você, porque dizer faz tudo se tornar verdade. O que você pensa, não é real, mas o que você diz, pode se tornar, as palavras ecoam no universo e tem sempre aquelas teorias de conspiração, que por via das dúvidas você prefere evitar que é pra colaborar com seu futuro. Repito cinco vezes toda noite, eu vou ser feliz, eu vou ser feliz, eu vou ser feliz... e eu nunca sou, preciso dizer que sou, que é pra um dia realmente ser feliz; eu sou feliz, eu sou feliz, eu sou feliz... ahahaha, que grande piada. Você consegue ser feliz com outra? Consegue dizer eu te amo pra outra? Vamos lá, eu tenho ainda essa vantagem sobre você, você vai se remoer com a incapacidade de dizer "eu te amo", pra quem diz que te ama. Porque no fundo, nós dois sabemos que amar, esse amor de almas que se completam, só nós dois. Só você comigo, eu com você. Mas eu, eu sei dizer eu te amo sem que isso seja necessariamente uma verdade, não é ótimo? Sem meias mentiras, com meias verdades. Os canalhas também sofrem. Não sofrem por ser canalhas, são canalhas porque já sofreram, demais até! Não, eu ainda não disse eu te amo pra ele. Ele é especial, sabe? ele é educado, ele é inteligente, engomadinho, tem um futuro brilhante e o melhor disso tudo, vai me puxar com ele. Mesmo que eu esteja nas margens de um buraco negro e grande que insiste em me seguir, em me acompanhar ele vai me levar com ele. Tem uma vida já traçada e você ainda tem um caminho todo pra trilhar, eu trilharia com você, sem problemas nenhum, se achasse ainda que era possível, mas não acho. Então repito também cinco vezes que eu sou feliz, sem você. Não sou não, não se entristeça, é que é aquela história da teoria de que tudo um dia volta pra você. Você lembra que me falava isso? Acho que era só pra eu acreditar que eu não tinha culpa do que acontecia, que tudo era uma espécie de pré-destinação. Fizemos um pacto inconscientemente, de sofrermos um pelo outro, você lembra?. Eu cumpro minha parte, mas e você que nunca foi bom em cumprir promessas, como faz?


Obs: Prometo que a partir do fim de semana (fim do semestre) comento em todos os blogs que estão por aqui, vontade/saudade de ler vocês. :D

sábado, 27 de junho de 2009

Sobre a Sanidade.

- E ele terminou com você assim?
- Ué, foi.
- E o que ele disse?
- Ah, que ficou com medo de perder a SANIDADE.
- Nossa que idiota.
- Mas sabe, até que eu acho que ele tem razão.
- Sério? Para! Você não está perdendo a sanidade, porque ele perderia?
- Você há de convir comigo que nunca fui muito sã, não é? Mas a gente era um típico caso de a dama e o vagabundo.
- Não me diga!! Adoro homens vagabundos. Não sabia que o Rafael era assim.
- Não, ele não é. A vagabunda sou eu. O Rafael está mais pra dama.
- Ah como você é boba.
- Sério, eu enlouquecia ele! Tirava ele dos estudos fazia ele se dar mal em quase tudo. E eu não o fiz perder a roupa todo num strip-poker?
- Coitado.
- O pior você não sabe.
- O que?
- Eu contei que ele blefava. Ele perdeu a última jogada e teve que ir até o meu prédio nu. Hahahahaha. Agora imagina o porteiro. Haahahah. Queria chamar a polícia. Foram 40minutos pra convencer ele a não chamar a polícia e mais 40 minutos pra convencê-lo a nos deixar entrar no prédio. Maior cena. Precisava ver.
- Eu ia adorar ver isso, porque é que eu não estava nesse dia?
- Salvador.
- Ah semana de carnaval, certo! Que tudo, Salvador, Ivete, Araquetu e eu perdendo todos os limites nos becos das ladeiras. Só não ganha daquela nossa saída do ano passado.
- Nem me lembra. Sinto náuseas no estomago por aquela ressaca até hoje. Fora as dores de cabeça que ainda me causa aquela quarta-feira de cinzas na qual inclusive eu conheci o Rafael.
- Nosso destino é conhecer bons frutos no carnaval não é? Ah o Pelourinho.
- Nem tão bons frutos assim né? Vadia.
- Eu sou é esperta, meu amor.

- Ah, eu te contei do carioca?
- Ai, morro por aquele homem, o que tem ele?
- O Rafael me viu ficar com ele.
- Como assim?
- Eu transei com o carioca na frente de todo mundo no réveillon.
- Você não fez isso!
- Fiz. Eu fiz. Eu fui ao banheiro, ele foi atrás, me agarrou, fomos pro carpete da sala, daí por diante só lembro de acordar desnuda ali no meio da sala-de-estar da Fabi do lado dele meio desnudo.Fê, você tem noção da vergonha que eu fiquei? Do climão? Eu acordei o Rafael tinha ido embora, claro.
- Que fita!
- Pois é, e pra convencer o Rafael de que estávamos tontos e não tínhamos noção do que estávamos fazendo? O que não deixava de ser verdade, eu estava loucassa. Joguei a culpa no pó, que eu nem tinha cheirado, inclusive. Mas naquela altura do campeonato eu diria pra ele até que tinha mexido com pedra.
- E aí?
- Três semanas de término. Ligando todo dia, pedindo desculpas, e-mail, mensagens. Lembra quando eu fui pra Curitiba? Então! Ele pegando um monte de vadia aqui, transando na cama dele, que é só minha. Assim como ele deve estar fazendo agora, em um puta Sábado a noite enquanto eu bebo com você.
- Ah, então você está me chamando de má companhia?
- Não, claro que não. Mas eu não queria ver o meu homem com uma vadia qualquer recobrando a sanidade dele. Que ódio!
- Mas vem cá, e o clima entre vocês e o Carioca?
- Eu evito, sabe? Mas ele e o Ronaldo não se falam de jeito nenhum.
- Compreensível não é, meu bem? Você é uma vadia.
- Cala a boca. Bebe aí vai.
- Vamos brindar?
- Ao que? Ao meu relacionamento fracassado? Ao meu pé na bunda? A vida que eu surpreendentemente não sei levar sem ele? Ou a falta que aquele nerdsinho careta e ex-submisso me faz?
- Ah, não tem nenhuma idéia melhor não?
- Vamos brindar, aos carões que eu fiz ele passar, à vez que ele chegou sem roupa em casa, à vez que fomos presos por transarmos na praia, ao aniversário de namoro que eu passei no rancho com meu avô, e a sanidade que ele está recobrando com outra.
- Isso, é isso. Vamos brindar a sanidade. Que NÃO temos. TIM TIM.
- Isso, vamos brindar à sanidade...

E que ela nunca nos faça falta.

segunda-feira, 15 de junho de 2009

Sobre Angústia

- Oi, ainda bem que você atendeu, eu estava quase desligando. Você estava dormindo, não é?

- É, eu estava.

- Bom desculpa, eu precisava falar com você.

- Que horas são, Renato?

- 03h45min.

- Você estava chorando?

(e aquele silêncio do outro lado da linha, e claro, só podia estar chorando, dava pra ouvir os soluços, e respirava mais fundo e silêncio.)

- Não.

- Eu conheço você, o que foi?

- Sabe, já faz uma semana Paulo.

- Eu sei, eu senti sua falta.

- Não, cala a boca, EU te liguei, quem fala sou eu!

(entre engasgos, soluços e respirações fundas ele pensava no que dizer)

- Faz uma semana que você disse que ia pensar e me ligava, e desde lá eu não como direito, não durmo direito, tenho medo de dormir e com tanto sono acumulado não ouvir se você me ligar, porque você disse que ligaria, você disse! Eu não saio mais, não! Tenho medo de quando você resolver aparecer e eu não estar aqui e deixar o momento passar como passaria se você não tivesse atendido ao telefone.

- Que bom que eu atendi, que bom que era você!

- Não vou admitir a hipótese de você não ter se decidido a passar por cima, ou não, disso tudo até hoje, eu não admito (por uma questão pessoal, de ego, auto-estima, de me sentir muito pequeno, de não me dar a importância devida, e eu sei que eu não sou tão 'nada' assim pra você), então não admito a hipótese de você não ter sentido saudade, e então...

- Claro que eu senti amor! Eu já me decidi.

- Então, de acordo com o meu ponto de vista, você é um SACANA, e só não me ligou por uma questão de me deixar agoniado, o que deu muito certo durante a semana toda, em que eu fiquei alerta a qualquer meio de comunicação que me afetava, até aquele programa de rádio brega-onde-sua-dor-é-compartilhada-na-madrugada eu ouvia e pensava se você ligaria ou se me ouviria se eu ligasse. E como uma cobra pronta para o ataque eu me frustrava em cada bote, porque você sabe, você me deixou de molho a semana toda não é?

- Eu amo você, eu não te liguei por orgulho.

- E como eu disse, (ele dizia tudo como se lesse um discurso, monólogo sem improviso, sem direito nenhum de intervenção da platéia, parecia nem ouvir o que Paulo dizia, desde o “você estava chorando?”) eu não ia te ligar, ia te dar um dias pra pensar e esperar você me procurar, e foi o que fiz, não te mandei nenhuma mensagem, poxa, eu te dei um tempo, “porque você sempre estraga tudo?”; eu pensava, e hoje eu pensei tanto, para ser sincero, desde a noite passada eu andei pensando que...

- Você ouviu quando eu disse que te amo? Eu vou passar por cima de tudo e o amor sempre vai ser maior.

- ... Não está dando certo. (e o discurso continuava)

- Eu te amo.

- Você me deixa tão aflito e com você eu estou sempre tenso e...

- Renato?

- Não dá mais, eu te liguei pra dizer que não dá mais, eu estou sempre no limite da minha razão, eu estou sempre naquela linha tênue entre a fragilidade e a insanidade, às vezes desequilibro e piso lá e volto cá, e depois piso na linha de novo. Você não me faz bem, pode ser tudo perfeito quando eu estou com você, mas o inferno não vai compensar esse seu amor estranho, os meus gozos, seus gemidos, e... Não funciona mais. Eu não quero mais conversar. Não é que eu queira dar o troco, se quiser me ligar em uma noite fria pra desabafar, eu serei sempre seu amigo, mas agora você vai passar um bocado do que eu passei essa semana. Olha é melhor não me ligar mesmo, o telefone vai estar desligado. Só há uma pessoa que eu ame mais do que você; EU, e eu estou um caco, preciso de mais cuidados. Bom era isso. Vou desligar.

- Espera!

- Desculpe, agora eu vou dormir... Como um anjo! E você sonhe com os anjos, que Deus te proteja, durma bem... Se conseguir dormir.

sábado, 30 de maio de 2009

Sobre Carne e Espírito.


E escrever era a única saída, a válvula de escape, o motor que impulsionava. Não podia pirar, não podia passar dos limites da compreensão alheia, por isso ficava naquela margem que compreendia ainda o limite seguro da sanidade para ela, pensava que se pudesse ser ainda compreendida pelos tantos, manteria a cabeça no lugar, mas às vezes chegava um ponto de ela não se entender. Não podia exagerar e era só o que fazia, ficava cada vez mais amarga com essa obsessão de amar de verdade, ficava cada vez mais sozinha em exigir mais de quem não podia dar mais.

“Você sabe separar o carnal do espiritual? Cara, eu já te dei tudo, o que mais você quer? O meu espiritual é todo seu. [“vísceras, pulmão e coração” era idéia fixa dela sobre o amor...] não dá você entende? No estado em que estamos não dá, você no Chile eu no México, eu trabalho você trabalha eu estudo você estuda, como é que te dou minhas vísceras? Nãoo, não é por aí, não é olhando o amor dos outros que você vai construir um seu, não meu bem inveja é uma coisa muito amarga, não te falaram? Tipo ideal não é um modelo à ser seguido, é só um modelo para ser comparado, não seja boba a socióloga aqui é você, você entende de Weber, não é? Vamos, não era você que queria viver um relacionamento aberto? Eu nem aceitei, conheço você, mas não posso te dar mais do que isso. É esse bendito Caio Fernando que me irrita em você, é essa bendita Clarice Lispector de você que eu odeio, eles eram infelizes, você não entende? Você não quer ser feliz amor? Eu te faço feliz, eu juro tentar. Mas você tem que parar de querer sofrer, tem que parar de encontrar em cada coisa que não faço um motivo pra chorar, você tem que parar de procurar defeitos em mim. Defeitos eu tenho aos montes você não vai parar de achá-los, escuta, você é a única que deveria ver em mim mais qualidades que defeitos, você pode me aceitar como eu sou? Você pode parar de me dizer como eu devo ser? Estou cansado de nunca estar apto pra você, pro seu jeito, pro seu amor primaveril. As coisas não são tão fáceis querida, você precisa perceber o que realmente importa e parar de se apegar em coisas pequenas, olha, minha cabeça dói.”

Era quem tinha que entender e não se entendiam, não falavam a mesma língua. Em compensação os corpos quando se encontravam pareciam nativos da mesma localização, algo como sodomaegomorra, nasceram juntos, paixão de vizinhos, sabe como é? Não conseguiam trocar uma palavra sem se ferirem, mas também não conseguiam dormir uma só noite virados para a parede, sexo e abandono do corpo do outro, em cima um do outro.

E ainda perguntavam pra ela se ela sabia separar carnal do espiritual! Essa era a única diferença que ela conhecia, o resto era conseqüência.


.

segunda-feira, 11 de maio de 2009

Sobre Mãe e Filha .

O rádio relógio despertaria daqui a três horas. Mais uma jornada de 13h fora de casa. De que importava? Eram 02h30minh da manha e nada do sono vir. Pensou em ligar pra Maria (que há muito não chamava de mãe, que há muito não a chamava de filha e sim de Lara), fazia tanto tempo que não se falavam. Queria dizer que São Paulo estava uma loucura nessa época, que demorava uma hora, às vezes até uma hora e meia para chegar ao trabalho, que o emprego era bom, que semana passada pegou o autógrafo do Lima Duarte pra ela. Queria tanto dizer que era um pouco infeliz... que entendia que a mãe também fosse infeliz, mas só entendia agora, então pediria desculpas pelas besteiras que tantas vezes havia falado em tons tão alterados e então, com vergonha, perguntaria sobre o irmão para mudar de assunto ( demonstrar fraquezas não era uma coisa recorrente entre elas, nem fraquezas, nem sentimentos, nem arrependimentos, por isso nenhuma das duas dava o braço a torcer de orgulhosas que eram, de teimosas que eram) vai ser pai?, não vai?, menino?, menina?, diria que está ficando velha e ainda não aprendeu como viver. Se fosse ligar não podia esquecer-se de dizer que está com saudade da comida da mãe, era uma coisa que ela sempre dizia, mas nem precisava, bastaria passar três dias com a mãe que iria repor os quilos que a correria de São Paulo lhe tirava.
Pensou em acordar a mãe as quase 3h da manha, só pra que ficasse sensibilizada com ela, para que, acordada no meio da madrugada, fosse mais sensível e quem sabe pensasse: essa menina está infeliz, sem que ela mesmo precisasse dizer. Queria que percebessem mesmo que nada pudessem fazer, mesmo que nada quisessem fazer. A sua vida inteira pensou que sua mãe quisesse que ela fosse infeliz até começar a amadurecer, aí mudou de idéia e isso era uma das coisas que queria, porque queria, contar pra ela o quanto antes... Ou seja, nesse telefonema.
Queria dizer que “mãe, apesar de nos falarmos mais por telefone que pessoalmente, queria dizer que eu sei que você não queria que eu fosse infeliz, embora tenha se afastado no momento em que eu fui mais feliz. Eu sei que talvez você tivesse previsto que depois as coisas fossem piorar, mas eu pensei que fosse despeito, você não concordava que eu pudesse ser feliz daquele jeito, mas eu fui. Você me fez duvidar e me faz duvidar até hoje, e talvez só pelo fato de eu duvidar eu não seja feliz, não mãe, não quero colocar nenhuma culpa em você não me entenda mal.”
Queria dizer que deviam participar mais uma da vida da outra, quem sabe uma ensinasse a outra a ser feliz de diferentes maneiras?
E quando foi pegar o telefone se lembrou que havia tido uma última briga terrível com a mãe há quase dois meses atrás, a mãe não amoleceu dessa vez. E depois da briga até que ela tentou pedir desculpas à mãe, mas a mãe tinha aquela capacidade de afetar as pessoas com a indiferença que alguém só pode mesmo ter nascido com isso. Veio do tataravô, para o bisavô, para o pai, para Maria e depois aí parou, porque Lara não sabia como ser indiferente às pessoas e nem gostava desse sentimentozinho que ela não sabia como revidar. E Maria e Lara se feriam tanto como se ferem dois galos de briga.
E foi aí que Lara desistiu, desistiu de ligar porque um dia a mãe não a afetaria mais, se era sair da vida dela (assim à francesa) que ela queria, assim ela iria. Lara fingia não ligar, mas no fundo [no raso, bem raso] ela ligava.
Mas estava em São Paulo agora e São Paulo endurece as pessoas e estava endurecendo ela assim como endureceu sua mãe e milhões de outras Maria's e Renata's e Viviane's e Lara's que por ali passavam. E no fim sabia que era só mais uma coisa para Maria ver nela como “herdado”, mais uma semelhança entre elas. Porque Maria havia morado em São Paulo. E porque o ar que por muito tempo não deixou que Maria dissesse a sua filha a falta que ela faz é o mesmo ar que Lara agora respira durante as 13h as quais ela fica fora de sua casa.


Obs: O Blog está em processo de metamorfose. Não sei se continuará com essa roupagem.

quarta-feira, 6 de maio de 2009

Sobre Cinema e Música

Meme que eu achei super criativo que me foi passado direto da criadora. *-*
A senhorita Nina Vieira


Filme: Brilho eterno de uma Mente sem Lembranças.

Cena: Eles tentam "escrever" um novo final pra história deles . Ele diz que no dia foi embora, mas que queria ter ficado. Ela pergunta se foi alguma coisa que ela disse ele diz que sim; " você disse então vá com tanto desdém" então no dia ele foi embora, e no fim ela diz: porque você não fica dessa vez? Ele diz que não dá porque ele foi e não sobrou nenhma lembrança então ela pede pra ele uma despedida e no ouvido dele ela diz pra ele encontrar ela em MONTAUK, uma coisa que fica no inconsciente dele. Quem ja viu o filme vai ver que a música tem tudo a ver.

[ o vídeo não pode ser incorporado aqui então eu vou colocar só o link]

Vídeo:


http://www.youtube.com/watch?v=laYGEdBci0I&feature=related


Foto:

Música:

"Leva meu gosto na tua boca

E nossos sorrisos na memória

Pra recordar que a nossa história

Começa de novo nesse adeus

Não vou deixar você,

Não vou me enganar, mais uma vez."

Mais Uma Vez - Ludov

Regras:


1.: Escolha uma foto ou vídeo de um filme que você gosta;

2.: Coloque o trecho de uma música que tem a ver com aquele momento;

3.: Escreva estas regras em seu blog;

4.: Indique cinco amigos.



Indicados: Nana, Moni, Anne, Nadezhda, Eduardo.

segunda-feira, 27 de abril de 2009

Sobre Cuidado

100ª Postagem. :)

Um cacto morto por excesso de água, foi o que sobrou. Mas quem dera tivesse sobrado dos amores antigos só um cacto morto. Esses espinhos eram o que de mais brado havia ficado. Mais dolorido, ela pensava, era a única coisa boa que havia ficado: as lembranças. Dos amores que teve sempre fora deixada; terrível, mas verdade, ela sabia, havia reparado nisso nas últimas semanas. As últimas pessoas foram tão clichês, pediram tempo, terminaram, sentiram saudade, quiseram voltar depois de dois meses. Disse não, tentou, mentalmente, articular algumas verdades, as quais achava extremamente necessárias serem ditas, como: “eu fiz tanto por você”, “o meu orgulho não me permite dizer que sim”, ou “o que faltou?”.
A verdade, ninguém percebia, mas todos sabiam, ela, elas, não faltou, nunca faltou nada, nem pra essa última, nem pras outras ela’s que passaram por sua vida. Era cuidadosa, cuidava de si; estava sempre bonita, tinha sempre um cheiro bom, um cheiro que remetia a boa noite de sexo, velas, incenso, cuidava da casa; casa limpa, obsessão por lençóis brancos e limpos, cuidava do relacionamento; romantismo, aprendeu a gostar da rotina. E disso tudo; três amores, incontáveis sorrisos, noites sem dormir, alguns whiskys 20 anos, e milhares de vodka-nacional-barata, só ficaram coisas dolorosas: lembranças boas e os espinhos do cacto Caio morrendo na casa silenciosa. Era tanto amor, era tanta paixão, tanto cuidado. E foi quando ela percebeu ali, parada do lado do telefone, de pé olhando a janela (havia acabado de dizer que “não, porque não quero mais, você tinha razão em ter terminado” quando na verdade só queria ter dito que “não, porque eu sou orgulhosa, mas me liga amanhã quem sabe tenha passado”) percebeu que era isso, foi isso, na verdade os amores morreram pelo mesmo motivo de Caio-o-cacto. O excesso de cuidado, constatou, às vezes mata.


Obs: Tentando aprender o equilíbrio.

sábado, 18 de abril de 2009

Sobre Deus


E ele me dizia o tempo todo, converse com Deus irmã. Eu olho no fundo dos olhos dele querendo que ele entenda o que eu não consigo explicar com palavras, será que ele não entende? Taí ele não entenderia, primeiro porque eu pediria pra ele não me chamar de irmã, não quero, não gosto de intimidade com estranhos, estranhos me servem pra uma foda e nada mais, não posso foder com padres, isso é pecado mortal, nunca mais ganho o perdão de Deus, ta sabendo?
Não posso conversar com Deus, eu disse. Ele tentou argumentar que era só eu falar que ele me escutaria e quem sabe me apontaria uma direção. Achou que eu talvez não soubesse daquela antiga história de que Deus é onipresente, onipotente, achou que eu tivesse uma comum deficiência dos tolos em não conseguir entender essa coisa de alma, cosmos, conversas espirituais. Não é isso seu padre idiota, se a minha alma já conversou com a alma de vários amigos, inimigos e até estranhos porque eu não conseguiria me comunicar com Deus? Como é que eu vou explicar? Não expliquei, ele não entenderia, chamaria de capricho, mimo de burguesinha, tenho pra mim que todos os padres são originários de classe operária. Mas o caso é que, VAI QUE ELE ME APONTA MESMO A TAL DIREÇÃO, aí eu to fudida entende? Nunca fui boa em cumprir ordens, não é atoa que eu trabalho como autônoma. Vai que esse bendito coordenador do universo, aquele que dizem que faz as ligações entre um acaso e outro acaso e transforma em destino, porque claro dizem que o destino é traçado por Deus não é? Então se ele me manda seguir uma direção eu vou completamente o contrário, vai dar merda! Com certeza. Quando eles me diziam que esse era o método certo, eu ia pelo errado, não era proposital, mas eu sempre achei que as coisas deveriam correr pelo meu método, pela minha escolha, não gosto de opiniões, não me venha dar pitáco. Já me chamaram de cabeça dura, outros de ingrata. Ah, ingrata eu não sou, me defendia logo, não pedi opinião, não perguntei o que era melhor, na minha vida eu mando, na minha vida eu escolho quais caminhos percorro. Por isso eu falo...
Às vezes peço colo pra Deus, ele me dá, acreditem se quiser; me deixa deitar no colo dele e me abraça como um amante nas noites em que sinto mais frio e carência. Agora me diz se aquele cara que nasceu em 1930, serviu o seminário como suposta vocação, vai entender que trepo sem compromisso com estranhos, durmo com Deus de conchinha e não posso ouvir o que ele me fala pra não desgraçar minha vida. Parece até ironia do destino. Ou seja: do próprio Deus?


Obs: [ ]

quinta-feira, 9 de abril de 2009

Sobre Afetação

Sabe quando você quer se fechar? Sim, eu queria muito isso agora. Não, não falo de desligar o telefone e ficar debaixo das cobertas chorando litros de lágrimas que acabam aliviando as dores que você sente. Não, não falo de ficar trancada no seu quartinho gritando com qualquer um que ameace entrar ou derrubar a porta porque, aliás, faz dias que você não come, não bebe, não toma banho e seu quarto deve estar cheirando pior do que roupa mofada. Não, também não falo de largar o vício da internet e perder sua importantíssima popularidade. Eu falo de continuar normalmente sua rotina, ir á faculdade, ir a festas de amigos, fazer tudo que você normalmente faz. Não, não estou falando de me fechar para o mundo. Estou falando de me fechar pras pessoas. É que pra mim, hoje, existem dois tipos de pessoas, as que estão aí pelos cantos de coração aberto e as que estão pelo mundo de coração fechado. Cansei de andar pelos cantos. Quero andar pelo mundo e não me afetar com mais ninguém.


Obs: Quase uma síndrome de Greta Garbo.
Obs2: Prometo que durante a semana eu comento com calma nos blogues.

terça-feira, 24 de março de 2009

Sobre o Contador de Histórias

Acabaram as histórias. Acabou a imaginação. E o velho contador de histórias já não sabe o que falar. Chapeuzinho Vermelho há muito tempo ficou para trás, depois Pinóquio, e todas as princesas. Feiurinha, gato de botas, esses aí então já não sabia nem mais contar. Depois que as crianças começaram a ir para escola cada vez mais cedo, os avós perderam a utilidade de contar histórias de contos de fadas às crianças. E ele que sempre fora o irmão mais velho, desde pequeno contava histórias aos irmãos menores, foi quando desenvolveu um enorme dom, o de mentir, ops, de sonhar. Contava histórias fascinantes, que nem mesmo haviam existido, a não ser, algumas que saiam quase prontas de seus sonhos. E sonhava toda noite, e ficava o dia todo remoendo, reinventando, recontando aquela história consigo mesmo, para contar aos irmãos mais novos, que aliás adoravam e só dormiam depois da "sessão histórias". Histórias lindas de princesas, donzelas, borralheiras, perseverança, força de vontade, compaixão, paixão e AMOR. Porque toda história bonita é movida pelo AMOR, pela PAIXÃO.
Tinha 4 irmãos mais novos, e todos eles cresceram com as histórias que ele não revelava para ninguém de onde vieram, histórias que sempre começavam com “num reino distante, bem distante”, ou “há muito tempo atrás”, ou “um amigo da prima da tia da vizinha do meu colega de classe, disse”, de tantas histórias bonitas, aprendeu a mentir como ninguém, mas nunca aprendeu a acreditar ele mesmo nas suas mentiras (às vezes isso dá mais credibilidade) e nas mentiras alheias (se acreditasse nas mentiras alheias a vida teria sido melhor).
Seu irmão mais novo, hoje com 44 anos, formado e doutor em educação física, o de 47 anos um dos maiores produtores de comercial para TV, o de 40 anos médico, o de 51; advogado. Pessoas que acreditavam que as histórias eram reais, que acreditavam em sonhos e que correr atrás os faz realizar, pessoas que acreditam em amor em pleno século XXI.
Lançou um livro ainda com 21 anos cheio de histórias, sonhadas e imaginadas por ele mesmo, já havia inventado tantas histórias que começava a sentir que todas eram iguais, foi se entristecendo se fechando mal falava com medo de desperdiçar alguma boa frase para suas histórias. Casou-se, teve 3 filhos, foi quando voltou a sonhar, a se lembrar como se contava uma boa história, lançou o 2º livro, 30 anos. O tempo, a calma, as crianças crescidas, a família, isso lhe rendeu mais histórias, 3º livro, fim, 43 anos, acabou. Foi enlouquecendo, se isolando, não falava, o dia todo rodando a cidade; nenhuma história, o dia todo dormindo e nada de sonhos, enlouqueceu aos 45, sem esperança, sem o “amor” das histórias de reis e fadas, sem medo ou compaixão ou bravura, porque ele sabia, só ele, que essas histórias eram apenas mentiras bem contadas, contadas com carinho, apenas sonhos enfeitados com margaridas bem perfumadas. Só ele sabia que grande fingidor era ele..
E ele hoje com 60 anos, mal se formou em letras, lançou 3 livros quase-sucessos-quase-fracassos, hoje mora aqui nessa clínica ao lado da minha casa (a família internou, não sabia o que fazer), onde em raros momentos de sanidade grita pelo buraco do muro a sua história. Hoje ele é só mais um velho de 60 anos. Sem histórias pra contar e sem imaginação o velho contador de histórias já não sabe o que falar.


Obs: A fase ruim tá que passa. ;)

domingo, 15 de março de 2009

Sobre O Meu Carnaval.

É, sim, eu ando sem inspiração, eu confesso. Uma semana do seu lado e você arranca facilmente todas as minhas feridas e aflições com a mão, sem eu ao menos sentir.A minha falta de inspiração tem nome, sobrenome, tem um metro e setenta e dois, cabelos negros e olhos puxados. E cresce de uma maneira totalmente previsível dentro de mim. É eu cheguei ontem a noite, queria ter chegado durante a manhã sabe como é, a noite é sempre mais depressiva. Fui direto pra cama, talvez pra descansar, talvez pra dormir, mas não fiz nenhum dos dois... eu chorei a noite toda. Quando eu começava a pegar no sono sentia sua mão na minha cabeça, me fazendo carinho, e quando eu ia abraçar você, sentia o pano frio do travesseiro. Injusto a minha mente me trair tanto assim, injusto ficar imaginando você comigo durante a noite toda, injusto ter a sensação EXATA dos seus carinhos e abraços enquanto eu durmo.Eu sinto sua falta, my dear. Falta dos cigarros de menta, falta das risadas abafadas no silencio da madrugada, falta dos gemidos sussurrados ao pé do meu ouvido, falta do toque, sinto tanta falta sua que sou quase toda falta [ como aquela menina de alguns posts atrás, e eu sentia pena dela]. Hoje eu acordei com o rosto inchado, olhos vermelhos, olheira funda. E lá fui eu, tomei um banho quente e quando voltei pro quarto fui logo tirando meu roupão de costas pra cama como eu fazia de costas pra você, quando virei quase te vi deitada ali com a sua cara de quem quer mais ( e você diria; “vem aqui, vem!”) e eu iria... iria me deitar com você e deixar você fazer o que quisesse de mim, mas você não estava não é? Então me deitei na cama abraçando o travesseiro, meu velho companheiro de noites afio, e chorei. Não faria diferença nenhuma mesmo, pra quem já estava com o rosto inchado e olhos afundados, chorar mais dez minutos não causaria mal nenhum. Mas resolvi levantar, sabe, REAGIR. Me vesti, saí, queria comprar alguma coisa pra me distrair, você sabe comprar sempre é um bom passa-tempo. Eu comprei um peixe. Um betta, ele se parece tanto com você meu amor... Quando o dono da loja me descreveu ele, eu nem perguntei o preço, peguei logo o azul (que é a cor da saudade, da tristeza e melancolia), escolhi um aquário e trouxe. Ele me faz companhia agora. Um peixe anti-social, que não sabe viver com seus semelhantes, muito menos com os diferentes, disseram que ele mata outro peixe, e se juntarmos dois bettas eles brigam até a morte. Gosto do temperamento forte dele assim como gosto do seu. Depois de dias com companhia agradável agora eu tenho a companhia de um peixe, mudo, brigão, que implica quando eu encosto meu dedo no aquário. Eu tenho saudade de você, não pense que eu te esqueci, não pense que não ligo pra ti, eu não vou sumir, não se preocupe, mas agora tenho que parar de escrever, tenho que arrumar meu peixe azul no aquário novo dele. Você pode me escrever pra aliviar a dor? Ligar na madrugada como quem se virasse na cama e me abraçasse? Você pode ligar no meio de uma tarde quente como se aparecesse pra me levar pra sair? Porque eu ainda espero que quando a campainha toque seja você chegando e eu faço aquela mesma cara de indiferença fingida que eu fazia antes de abrir a porta, o meu teatro tem sido mais inútil agora que ninguém entende os meus porquês. O peixe vai se chamar Zuza, de Cazuza sabe? Eu precisava de alguém pra cuidar, pra ocupar o meu tempo, ocupar minha mente, mas eu sei que o Zuza não vai substituir você [e os seus lábios nos meus, seu espaço vazio na cama].

Só uma pessoa sem criatividade e sem o objeto amado pode comprar um peixe e achar que ele substitui o ser amante. Eu confesso que ele tem sido minha única companhia nos últimos dias. Eu queria te contar que a minha vontade de escrever se foi junto com você e seu ar de inconfessável melancolia. A inspiração deixou um espaço vazio na cama, e um espaço maior ainda aqui dentro, e esse vazio dói e pesa.

Eu só espero que um dia você possa me entender, mas enquanto isso... vivamos da maneira como se deve viver.

Finalização com ajuda do meu querido amigo; Heitor Zanoni.

Obs: Totalmente auto-biográfico!

domingo, 15 de fevereiro de 2009

Sobre Brisas



Para ler ouvindo: Saudade - Marcelo Camelo.

Deixa o vento bater, deixa bagunçar tua franja, deixa eu olhar você comigo aqui. Deixa a janela aberta o vento passar e testemunhar; eu e você nos melhores momentos de nossas vidas. Não me olhe tão fundo assim amor, que eu tenho medo. Medo de que você descubra alguma coisa que não goste. Alguma coisa daquelas que a gente sempre acha melhor esconder do que contar. Olha pro meu cabelo também, não sei, só não cruze seu olhar assim, tão fundo, com o meu. Eu sempre vou lembrar desse dia em que o vento invadiu a casa levando todos os sentimentos ruins e os maus-olhados pra longe da gente, pra nada atrapalhar. Sua franja ao vento e eu com a mão no seu rosto fazendo carinho em você. Tocar, essa sempre foi a parte mais importante de tudo não é? Eu poderia ficar aqui pro resto da vida sentindo você, quente, seu cheiro tão perto. E o relógio... Desliga ele pra ele não fazer esse tic-tac de tempo se esgotando. Nem mesmo as ampulhetas são mais angustiantes, pelo menos elas são silenciosas. Eu levanto e tiro a pilha desse relógio enquanto você muito se diverte com as minhas atitudes piegas. Você se distrai e deitada no chão nesses dias tão quentes de Fevereiro, olha pro outro lado, onde não se pode ver nada, além da porta da sacada. Eu fico imaginando no que você pensa.. Acho que consigo adivinhar. Uma vez você me disse que quando esta sozinha fica na sacada olhando o mar e pensando que um dia ele, ou o vento, ou o pôr-do-sol vão me trazer pra você sem você ao menos esperar. E fecha os olhos deixando que o vento ao bater no seu rosto pareça o meu toque que, você sempre diz, é leve como a brisa. Por isso te digo que não feche a janela, deixe que o vento bagunce seus cabelos, deixa eu te imaginar na sacada com essa brisa contra você. Me dá uma pontinha de dor aqui dentro, de imaginar você tão sozinha aos domingos, “que dia cruel é o domingo” você me disse, eu concordo, “sobra tanto tempo”. “A gente nunca pensa o que tem que fazer na segunda, ou quantas contas tem pra pagar, ou o que na casa temos que limpar, reformar, só sobra tempo pra pensar no amor”. O que não é de todo ruim eu tentei argumentar, mas você ficou calada, sabendo que eu também sentia a dor que você sente, e você sorriu porque sabia que no fundo eu sempre tentava amenizar o seu sofrimento. Mesmo sofrendo mais ainda se soubesse que você não sofria essa saudade. E Marcelo Camelo cantando ao fundo meio rouco, meio nostálgico, meio que como a gente. Esse é o primeiro dia da semana que teremos pela frente e a saudade e o medo e o vazio dos dias sem você já me incomodam, eu sei te incomodam também. É só olhar você, deitada de lingerie no chão, que qualquer um perceberia que essa tristeza nenhuma brisa consegue levar. E você olha pra mim, e eu sorrio, um sorriso molhado de inconvenientes lágrimas negras que eu tentei esconder. Um choro engasgado na garganta que a gente teima em tentar engolir. E você que sempre foi mais forte que eu nesse quesito sorri, não é desdém, não é pena, não é tristeza, é só compaixão, compreensão. A velha e amiga empatia. Você se levanta, diz que está com frio, fecha a janela e me leva pro quarto. Você adormece sempre como um bebê no meu colo, você diz que não dorme direito longe de mim e se desculpa por perder tempo dormindo quando eu estou do seu lado, “mas é que você me dá tanta proteção que só assim eu consigo dormir sem medo de estar sempre sozinha”. Empatia eu digo, você não entende. E dorme. E enquanto você dorme, eu peço pra que a brisa leve esse gosto de futuro fracassado da minha boca. Uma, duas, três até perder a conta de quantas vezes eu pedi. E sem querer me esqueço, que você há pouco fechou a janela, e não há brisa alguma que seja capaz passar por aqui.


Obs: Obrigadasso sempre aos que comentam. [ E mais ainda obrigadasso aos que comentam SEMPRE. ]

quarta-feira, 11 de fevereiro de 2009

Sobre Feridas

Tantas fotos suas. Você em pedaços na tela do meu computador. Não era esse fim que eu tinha planejado embora soubesse desde o começo que... Espera aí, não houve começo, não houve nada; Só uma tentativa de ter o que eu amava. Em pedaços com expressões, diferentes, tantas vezes tantas cenas imaginei pra mesma expressão de seriedade que você tem em uma dessas fotos aqui.
E como se você fosse um assunto superado e eu um acidente esquecido você consegue me encontrar no meio de uma praça qualquer como se dissesse: "Oi, me fala um pouco da sua vida e pergunta um pouco da minha também, me deixa te tocar e sentir o tamanho das cicatrizes!". E como se você fosse um assunto realmente superado e eu um acidente esquecido, te deixo me tocar e finjo que o que você sente são cicatrizes e não feridas ainda abertas. E sorrio. O meu sorriso afetado de te fingir que não sinto dor...

domingo, 8 de fevereiro de 2009

2º Meme

E as regras são:
1.: Escrever uma lista com 8 coisas que sonhamos fazer antes de “ir embora daqui”;
2.: Convidar 8 amigos de blogs para responder também;
3.: Comentar no blog de quem nos convidou;
4.: Comentar no blog dos nossos(as) convidados(as), para que saibam da “intimação”;
5.: Mencionar as regras.

1- Eu quero fazer sexo na praia. (sea, sex and sun), não sei, uma coisa meio infantil, meio despudorada, meio sem sentido, mas eu quero tentar um dia, mesmo que depois de um mês eu ainda ache resquícios de areia na minha bunda.

2- Eu quero me casar, com vestido de noiva ( deve haver algum lugar que deixe duas meninas se casarem de vestido branco de noiva, sem considerar isso uma ofensa aos bons costumes da sociedade.)

3- Eu quero morar numa casa bem grande, dois andares, quintal, pivetes pra encher a casa, gêmeos, (algum filho tem que ser JAPONÊS ).

4- Trabalhar no litoral, em algum hotel. Quero me tornar uma profissional MUITO, mas MUITO, eficiente e gabaritada. ( Deus me ajude )

5- Quero escrever um livro de contos, quero que gostem do que eu escrevo, quero satisfazer meu ego. Quero dar orgulho pros meus pais.

6- Quero comprar um rancho que tenha uma represa bem grande pro meu pai poder pescar o quanto quiser e se pah eu pague uma plástica pra mim mãe. hahahahhahahaha

7- Eu quero preservar meus amigos, quero convidá-los pra passar um fim de semana na minha casa com minha companheira. 0/

8- Eu quero ser feliz, desmedidamente feliz.



Bom, como eu já fiz um meme, e como eu já indiquei pessoas pra um selo, eu não vou indicar ninguém pra esse meme que eu recebi da Nina (http://sobrefatalismos.wordpress.com/) lindeza. Quem se sentir com vontade por favor fique á vontade. :)

sábado, 7 de fevereiro de 2009

[ MEME ]

Eu recebi esse meme do Luis Carlos [http://silogismojuridico.blogspot.com/] e eu não esperava MESMO. Fiquei super feliz. Obrigado. 0/
Bom, no meme, eu tenho que contar seis coisas aleatórias sobre mim... Eu costumo me expor demais quando as pessoas perguntam coisas sobre mim ou quando eu tenho que dizer coisas sobre mim e costumo falar muito também. hahahaha. Espero que não se assustem. Vamos lá.

1- Depois de grande eu passei a ter medo do escuro. Eu não devia ter medo do escuro, nem da solidão, mas com o tempo eu fui adquirindo esses medos. Eu sou filha única por parte de pai, criada com ele, sempre fui muito sozinha e fechada com a família. Acho que por isso comecei a temer a solidão de uma maneira angustiante. E o medo do escuro ? Como se explica? Não sei, mas pareço uma menina de dez anos ligando a luz do celular pra verificar que não tem nada no meu quarto. hahahaha

2- Eu tenho mania de agradecer a todo mundo, por tudo. hahaha. Claro que isso é bom. Chamo todos os mais velhos de senhor ou senhora também. Agradeço a fachineira que me deixa passar quando ela taá limpando, ao atendente que me vende alguma coisa. Falo com as crianças que vejo na rua, mexo com todas. :X

3- Quando estou com alguém sou meio possessiva, quero tudo pra mim. Quero coisas intensas, declarações de amor mais bonitas, quero o tempo todo pra mim, quero a alma inteira de quem está comigo. Claro que isso é chato, mas é claro também que eu sei desfarçar muito bem pra não chatear quem está comigo.

4- Eu me incomodo com o que as pessoas pensam de mim, com o que elas pensam do que eu escrevo. Tenho medo de parecer ridícula, de parecer feia, de parecer piegas, de parecer chata, de ser desinteressante. Quero que as pessoas me conheçam como eu sou e quando eu não tenho intensão de impressionar [ quando eu não tenho nenhuma segunda intensão ] eu sou verdadeira desde o princípio.

5- Não sei viver sem mentir. Eu minto, minto pra me preservar, minto pra me expor, minto pra dizer que não sofro, pra dizer que sofro demais, minto porque já traí, minto pra dizer que não pude sair, minto pra dizer que meu caráter é limpo, minto pra escrever... Magôo algumas pessoas, mas na maioria das vezes minhas mentiras são leves [ dizem que não existe mentira leve ou pesada, tudo é mentira, mas eu discordo.] e as pessoas não costumam descobrir que eu menti.

6- Quando eu faço demais sobre mim costumo me arrepender depois, bem tipo: Não devia ter dito isso, mas agora já foi. Quem me quiser que goste de mim como eu sou, mesmo eu tendo uma boa tendência a mudar pra agradar quem eu gosto. =S


Bom, as regras são:

1 - Linkar a pessoa que te indicou.
2 - Escrever as regras do meme em seu blogue.
3 - Contar 6 coisas aleatórias sobre você.
4 - Indicar mais 6 pessoas e colocar os respectivos links.
5 - Deixar a pessoa saber que você a indicou, deixando um comentário para ela.
6 - Deixar os indicados saberem quando você publicar sua postagem.

Os indicados são:

Camila : http://inventandobatidas.blogspot.com/
Moni : http://pensamentosemcores.blogspot.com/
Gabriele: http://apenadaasadeumanjo.blogspot.com/
Maria Louca: http://insensibilidadenatural.blogspot.com/
Cris: http://saudade-roxa.blogspot.com/
Carolina: http://vilarejoparticular.blogspot.com/

sexta-feira, 6 de fevereiro de 2009

Selo *-*



Regras:
1- Exiba a imagem do selo “Olha Que Blog Maneiro” que você acabou de ganhar!
2- Poste o link do blog que te indicou.
3- Indique 10 blogs de sua preferência.
4- Avise seus indicados.
5- Publique as regras.
6- Confira se os blogs indicados repassaram o selo e as regras.
7- Envie sua foto ou de um(a) amigo(a) para olhaquemaneiro@gmail.com, juntamente com os 10 links dos blogs indicados para vericação.Caso os blogs tenham repassado o selo e as regras corretamente, dentro de alguns dias você receberá 1 caricatura em P&B.
O Selo que eu ganhei da Isolente ( *-* ) http://insolente4.blogspot.com/
que eu adoro muito. Ela escreve muito bem e sempre me toca.
Os blogs indicados são:
Espero que entendam que a ordem não é de importância.

terça-feira, 3 de fevereiro de 2009

Sobre Ser Toda Falta.

Instruções:
  • Só leia com paciência.
  • Só comente se tiver realmente lido.
  • Respire, prenda a respiração e lá vai.
Ela tinha que achar. Era seu e fazia tanta falta. Motivos suficientes para revirar a casa toda atrás de qualquer coisa por pequeno que fosse. Já havia tanta coisa sua que sentia falta, havia tanta coisa que sentia falta, que se acumulasse mais faltas seria ela inteira vazia, uma prateleira, como tantas aquelas que haviam em sua casa abarrotada de coisas, ela, no caso, abarrotada de faltas.

Claro que eram motivos suficientes esses, mas só pra justificar que ela levantasse às 3h da madrugada de um Sábado pra Domingo pra procurar um abajur de madeira antiga, de fios desencapados, e uma decoração de cabaré, vou lhe dizer os outros motivos... Era tarde e ela queria ler um livro em sua cama como era de costume na solteirice, mas não podia acender a luz que acordaria o seu marido. Esse também é um motivo que sozinho justificaria a toda a busca desesperada pelo abajur. Já te explico isso. Deixa eu primeiro te contar os motivos cumulativos: estava frio e não sairia da cama pra ler um livro, e por último porque o abajur ganhara da avó que fora puta nos anos 60, não, não é piada leitor, fora puta de verdade, num dos mais bem freqüentados cabarés de São Paulo. Na época saía com vários empresários estrangeiros, um até era fixo e lhe ensinou a falar francês (bonjour, sava bien?), saia também com os maiores plantadores de café da região e unzinhos que tinham dinheiro para pagar seu cachê de putacara. Por isso eu digo e repito o abajur (que, aliás, havia ganhado do francês, pura ironia, não? Abajur = abat-jour = Frances?) vinha de uma decoração de cabaré.

Não, não podia, não queria e não ia acender a luz branca do quarto, porque isso acordaria Felipe que tinha sonos mais leves que o de um bebê recém nascido. Isso era um saco, porque Débora tinha insônia freqüentemente e no outro dia tinha que ouvir comentários como “nossa amor, você dormiu essa noite?” ou “havia formigas no seu lado da cama, Débora?”, o que ela odiava. Além disso, Felipe ficava uma fera se o acordassem de madrugada e a relação deles andava tão instável que ela evitaria qualquer tipo de briga.

Porque na abarrotada prateleira de faltas dela, a falta maior, a que ocupava mais espaço na prateleira, que era ela, por incrível que pareça era a falta do homem que dorme todos os dias do lado dela. A falta dos carinhos dele, dos beijos dele, das palavras bonitas, de tudo que pra ela significava sinais de amor.

Então ela se levantou, com cuidado, ligou o som do MP3 baixinho, naquele cd de música que ele sempre escutava pra fazer yoga, pra tirar cochilos, pra esquecer as raivas de um dia estressante e foi procurar. Não estava pela casa ela sabia, mas sabia onde encontrar.

Quando Felipe se mudou pra morar com ela, ela encaixotou vários mimos seus, para que na casa houvesse espaço parar as coisas de Felipe. Para que ele não sentisse que não havia espaço pra ele, pras coisas dele. E jogou tudo na despensa, onde, vira e meche, ela tinha que procurar alguma coisa que lhe fazia falta.

Então, foi pra despensa, que se pudesse escolher seria seu lugar favorito da casa, o que tem mais coisa sua, o que tem mais a sua cara. Sabia que em alguma daquelas tantas caixas estaria dentro de alguma o abajur do francês.

Não se lembrava de ter deixado aquele banco lá, mas lá estava, subiu e começou a desempilhar as caixas, pegou a mais alta, pôs no chão, foi revirando entre as coisas que tinham lá dentro.
Ursos de pelúcia que ganhou durante o namoro com Felipe, cartas de amor, flores amassadas dentro de livros, vários corações, de todos os tamanhos, vermelhos, amarelos, verdes, pretoebranco, preto e branco, recortados de revistas, jornais e com dedicatórias daquela linda letra desenhada que nem parecia de homem, pingentes antigos, fotos, chaveiros, cinzeiros, isqueiros, batons, mascaras de carnaval.

Quanto mais caixas ela abria mais o passado ela revirava. Velhos carnavais, bolinha de bet, bolinha de ping-pong, bolinha de cachorro, bolinha de piercing, bico de criança, frascos de perfume, broches, bótons, terços, troféus, lenços, porta-retratos, agenda, caneca, diário. Era tanta coisa velha, tanta coisa que fazia parte dela ou que era ela por inteiro, que ela teve vontade de ficar ali, porque se sentiu velha e antiquada e antiga e ultrapassada e presa no tempo com/ como todas aquelas coisas encaixotadas e deixadas pra escanteio por ELE. Que nem era ELE mais, era só um cara com quem gozava quase todas as noites, um cara pra quem dava bom dia todas as manhãs, e as frases mais sinceras e carregadas de sentimento que se falavam eram: “tome cuidado”, “leve o guarda-chuva”, “você nunca faz/nunca sente/nunca vê”, “que se foda”, “quer transar?”.

Ficou ali por horas, e ela chorava. Eu não ia te contar que ela chorava. Ela não contaria pra ninguém. Mas acontece que chorava e as suas faltas abarrotadas doíam mais que machucados internos com pinos quando faz frio. Mas algumas faltas sumiam, como a dos retratos, como a do terço, como a dos bótons, como a da caneca, e essas faltas que sumiam deixavam ela mais vazia, porque afinal “perder vazio é empobrecer”. Justo ela que era somente falta, abarrotadamente cheia de faltas, perdia um pouco delas agora. O que não é justo. “Não é justo” pensou ela, e de pensar assim chorava mais e soluçava.

Já devia ter quase 3horas que olhava todas aquelas lembranças guardadas e quando já nem se lembrava do que estava procurando foi que o achou, empoeirado, mas ainda sim lindo, querido, estimado e sentada no banco abraçada ao abajur ela chorava.

Foi então que Felipe acordou. 06h30minh de um domingo. Tinha toda a tarde pra dormir, agora ele queria ir à feira, comprar frutas. Adorava chegar cedo à feira, pegava sempre as coisas mais frescas, as verduras mais bonitas, as frutas mais doces. Não trocava isso por nada, mesmo quando muitas vezes Débora lhe pedia pra dormir mais um pouco, ficar mais na cama com ele, não tinha negócio, ele tinha um prazer imenso de comprar na feira às 7h da manha. E ela como boa esposa o acompanhava.

Achou estranho não achá-la na cama, “ao menos um dia ela vai partilhar do meu hobbie sem me atrasar.”, pensava enquanto se encaminhava para o banheiro onde, jurava, ela estaria.
Não estava. Procurou-a pela casa toda e quando enfim a achou, ela estava em prantos e soluços abraçada a um abajur cafona de decoração de cabaré. Isso o afetou tanto. Desde a perda da gravidez, era isso o que mais o havia afetado. Ver ela no meio de tanta “quinquilharia” chorando cheia de coisas em volta. Ficou olhando por uns cinco minutos sentindo uma dor tão grande quanto a dela, pra só depois ir ao encontro dela.

Pisando em ovos pra não estragar essas coisas antigas ele a puxou pela mão, ela veio, mas com o abajur. Ele com cuidado a fazia soltar o abajur até que pudesse pô-lo em cima do banco que estava ao lado. Ele a abraçou com a mesma força que abraçou no dia em que a médica disse: “Foi um aborto espontâneo, o feto era pequenino e frágil, ele não sobreviveria, eu sinto muito”.

- Vem, vem deitar abraçada comigo. Vem chorar no meu ombro, eu cuido de você.

Ele a levou com cuidado para o quarto, sem soltar ela do seu braço, seu abraço apertado. Ele trocou o seu prazer dominical pra cuidar dela que agora o afetava e chorava no seu peito, deitada, abraçada a ele como há muito não ficava.
E ela trocou mais uma vez suas coisas por ELE, deixou tudo guardado, encaixotado para que ele ocupasse o espaço vazio.
Afinal, ele era seu, e fazia falta. E na prateleira abarrotada de faltas dela, a falta maior, a que doía mais, era a falta d”ELE. E isso... Isso era motivo suficiente.

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Obs: Eu já disse que não prometo fazer textos menores, não é?

quinta-feira, 29 de janeiro de 2009

Sobre Borboletas

- Sabe qual o animal que eu mais gosto?
- Hum, o leão?
- Não! Porque leão? – Olhou com um ar de quem ficara intrigada com a resposta, porém sorria.
- Ah é que você é tão determinada. Sempre vai atrás do que quer.
- Não. Eu gosto das borboletas.
- Nossa! Totalmente o contrário do que eu havia pensado. As borboletas são tão frágeis.
- No fundo, todo mundo é.
- Mas porque as borboletas? Pela fragilidade?
- Não. Ah não sei. Elas são tão bonitas e coloridas. A cor é sempre uma coisa que remete alegria. Elas devem ser bem felizes, além de serem bonitas e coloridas elas voam. As cores de algumas são tão vivas e tão chamativas.... Nunca encontrei uma borboleta que fosse igual à outra, e olha que eu sempre vejo muitas borboletas. Mas nem tanto pela beleza sabe? Acho que o ponto principal é ela se tornar uma borboleta. Quero dizer, ela não nasce borboleta e fim. Ela vira uma borboleta, meio que a história do patinho feio sabe? Quando ela entra no casulo ela é uma lagarta.
- Écati.
- Ninguém gosta de lagartas. Mas o que eu quero dizer não é nem sobre tornar-se bonita. Mas TORNAR-SE, TRANSFORMAR.
- Hã?
- As borboletas se dão tão bem com a MUDANÇA. Vai ver que é por isso que ela fica tão colorida e feliz, porque ela leva numa boa as mudanças. Pra quem já foi lagarta poder voar é a alegria suprema. Eu odeio mudanças, não me dou bem. A rotina é que me dá segurança sabe? Você já tentou resolver ou entender seus complexos do presente olhando pro passado?
- Claro.
- Eu faço isso o tempo todo. Vai ver é porque minha mãe era meio inconstante, o meu pai viajante. Eu tenho medo de mudanças, mas quero logo sair dessa cidade. Contraditório isso, não é?
- Vai ver é seu jeito de enfrentar o medo. Olhando cara a cara pra ele. Destemida como um leão.
- Hahahaha. Um leão deve ser triste.
- Não, não é. Porque seria? Ele é o rei.
- Exatamente por isso. Ele é o rei, tem sempre que defender seu território, se mostrar autoritário, essas coisas de rei. Você sabe que as borboletas gostam de mim?
- Não. Sério?
- É. As borboletas quando voam próximas, sempre encostam em mim. Eu tenho até algumas que moram dentro de mim. Segredo, mas algumas moram dentro do meu estômago.
- Nossa, que legal.
- eu acho até que elas gostam de você também.
- Mesmo? Por quê?
- Porque só quando eu estou com você é que sinto elas se alvoroçarem aqui dentro.


27/01/09

quarta-feira, 21 de janeiro de 2009

Sobre Mágoa e Vodka

.Acordou e se lembrava vagamente do que tinha acontecido noite passada. Renata se lembrava sim de ter tido uma discussão terrível com Ana, por telefone. O porquê da discussão também lembrava, o de sempre. TEMPO, essa palavra pequena que pode remeter-se a tanta coisa. Tempo, quando queria o tempo de Ana era assim que fazia; birra, pirraça, como uma criança mimada que não sabe como pedir o brinquedo que tanto lhe desperta atenção, criancice? Não! Só falta de jeito mesmo. Sem saber tinha todos os argumentos que precisava em suas mãos, para fazer de Ana o que quisesse, pra fazer de Ana uma ocupação do seu tempo livre também.
.Mas não sabia pedir, só bater o pé. E Ana não gosta de crianças mimadas, Ana gosta de adultos que sabem o que quer e sabem o que fazer para consegui-lo. O tempo. Ana andava tão comprometida com a monografia da conclusão da faculdade, e com a família, que o tempo que tinha ela queria pra se divertir, não queria ninguém a cobrando isso ou aquilo, mas o que Renata não entendia era como mostrar interesse sem o bater dos pés.
.Renata acordou, com aquela dor de cabeça, ouvindo barulhos que vinham do seu quarto, ainda sem coragem de abrir os olhos, tentou uma rápida constituição da noite passada, depois do fatídico telefonema que de lembrar fazia sua cabeça doer ainda mais. “O que veio mesmo depois do telefonema?”. Renata não desligara o telefone, disso lembrava, foi Ana, que desligou o telefone interrompendo qualquer reclamação ou assunto.
.Por isso tanta raiva? Por isso tanta vontade de magoá-la e de se magoar? Porque se magoando magoaria Ana que já era parte dela. Então continuou a lembrar: Tomou um banho, um longo e renovador banho, se vestiu e saiu. Seu corpo era de tamanha beleza que mesmo com jeans e regata estava bonita, nada precisava para realçar sua beleza, nada precisava para que notassem ela estar lá, apenas estar.
.Se lembrava de alguém, um cara que a fizera companhia a noite toda, Thadeu com TH era o nome dele, e era só o que se lembrara dele. Falaram sobre signos, sonhos sobrenome, bebidas, parentes, artes, galeria, filmes, acupuntura, sexo, trabalho, tempo, mas não se lembrava nada do que ele havia falado só que do que ela mesma dissera. Saíram da boate os dois, passaram em uma conveniência compraram uma vodka, foram para um bar. E a dor de cabeça, e os barulhos no quarto e não se lembrava da noite passada. E o sol batendo em seu rosto e a preguiça de acordar, e o medo de abrir os olhos e não ser Ana ao seu lado. Não era não seria, pois brigaram a noite passada.
.Então desejou enormemente ter tido um sonho ruim, como aqueles que a incomodavam volta e meia, e desejou até que conseguisse acreditar que na verdade era só isso que havia acontecido, era Ana ao seu lado, não havia brigado, não havia saído, não havia se embebedado com o Thadeu com TH, e “ai minha cabeça”...
.Então apalpou o lado de Ana em sua cama, apalpou o lado que Ana costumava se deitar nessa cama que já era dela também, nada... Tinha um vão do seu lado direito. O que a fez concluir que ELA dormira do lado em que Ana se deita. Então suspirou, tomou coragem e abriu os olhos.
.Estava lá, ombros largos, peito nu, forte, branco, porte atlético, de calça jeans, olhos verdes, boca carnuda, lindo de morrer e à sua frente. Assustou-se.
.- Desculpa, Felipa, eu não queria te acordar, já havia escrito um bilhete, estava só terminando de me vestir e já ia sair.
.- Eu não... Não te falei meu nome certo, não sabia que ia dormir com você. – falou isso em tom de autocrítica, rindo da situação embaraçosa que ela mesma se colocara. – Eu me chamo Renata.
.- Eu me chamo Thadeu, caso não se lembre.
.- Sim, Thadeu com TH, eu lembro.
.- Olha, quando eu sair, tem um bilhete pra você ali na escrivaninha. E uma ligação de uma tal de Ana no seu celular.
.- Você atendeu? – perguntou num tom que misturava susto a nervosismo.
.- Não, claro que não, mas logo em seguida chegou uma mensagem.
.- Você leu?
.- Sim, desculpa.
.- O que dizia?
.- É pequena a mensagem. Só diz: “Eu tenho meu dia pra você. Eu te amo.”
.Ela se sentou na cama, dobrou as pernas e apoiou o rosto em sua mão, pois mal conseguia se segurar. Tanta reação por dentro. Ele era o que ela ingerira noite passada, aquela noite toda, era também a vodka que tomara, estava tudo lá dentro dela, ele ainda estava dentro dela, o sexo dele, o sobrenome, o tempo, o signo, os parentes, todos os lugares, sons, imagens e corpos dessa noite reagiam uns com os outros dentro dela agora... Além da dor de cabeça, e essa, ah como doía. Ele se vestiu.
.- Eu desejo com a intensidade da minha dor de cabeça que o seu dia seja ótimo e que minha dor de cabeça não passe pra você. Eu to indo Felipa... Eh Renata. – riu-se por já ter se acostumado com o nome que ela fingia ter.
.- Eu desejo que a sua dor de cabeça passe tão rápido quanto desejo que a minha acabe nesse instante, Thadeu.
.- A noite foi ótima, Renata.
.- Tenha um bom dia. – sorria com aquele mesmo sorriso que conquistou ele noite passada quando a viu bem de perto na boate.
.Ela se levantou para trancar a porta e se deu conta de estar nua, como ele já havia saído não ligou, trancou a porta, sentiu toda aquela reação dentro dela. Acupuntura, sonhos, trabalho, o sexo. Correu pro banheiro e se ajoelhou no azulejo frio, se apoiou no vaso segurou o cabelo e vomitou. Pensou:
.- O organismo logo reconhece o que lhe faz mal. E rejeita, rejeita.
.E como sentisse que Ana era parte de si, como sentisse que ainda a queria e que era recíproco, como sentisse que tudo o que acontecera (o TH, o gozo, a vodka, arte, galerias, filmes, gemidos, espermas, penetração, traição), como sentisse que tudo que acontecera era o que havia ingerido, era tudo dentro dela e era o que ela havia acabado de jogar fora, resolveu esquecer. Porque o que fazia mal a ela, fazia mal a Ana, e aquilo era tudo que já não estava nela. Tomou um banho, se vestiu, se maquiou café, cigarros, bala, carteira, hoje o dia de Ana era seu. E isso era só o que importava.


Obs: Não prometo fazer textos menores.
Obs2: Texto do mês 6.