segunda-feira, 24 de setembro de 2007

" O amor é o ridículo da vida "

Ela leu isso em uma daquelas revistas de horóscopo,
daquelas que têm um gatinho do mês
estampado com um sorriso nada-a-ver na capa,
mas ela nem se quer pensou no que aquilo significava.
Mas agora ela se lembrara, quanto tempo depois ? Talvez um mês ? Talvez Dois ?
Agora a frase parecia se encaixar, algo como o amor é cego ,
só que mais debochado e pra ela que era debochada até consigo mesma,
isso servia bem, servia bem a ela agora, que na biblioteca da escola
procurava livros de poesia pra fundamentar a sua carta de amor.
E então pegou um livro sobre Cazuza, no qual nos comentários da contra-capa
continha a seguinte frase pra ela já conhecida:
" O amor é o ridículo da vida "
E ela se achou ridícula.
Se achou imensamente ridícula naquele momento,
escrevendo uma carta de amor praquele namorado o qual via todos os dias.
E sussurrou RIDÍCULA,
com a boca tão cheia como se pronunciasse a palavra Crápula
(que diga-se de passagem tem uma pronúncia espectacular ) .
Ela voltou a mesa e continuou pensando em qual
final dar aquela carta que até agora continha: " Rodrigo, meu amor. "
É, mas ela havia perdido o tesão, havia brochado ali mesmo nas preliminares,
ela cortou a folha ao meio, escreveu algo como:
" obrigado pelos quatro meses incompletos, ainda! "
Colocou um Eu te amo básico e assinou
( julgava desnecessário assinatura mas ficaria como se faltasse algo)
Quis escrever aquela frase no bilhete,
mas para Rodrigo aquilo não faria sentido algum.
Ela dobrou aquele papel ( que até agora a pouco tinha o dobro do tamanho atual )
desenhou um coração e aquilo que era uma carta de amor,
agora virara um bilhetinho romântico no bolso da calça jeans dele.
Ela queria mesmo era rasgar o tal " bilhetinho",
mas isso não faria dela menos ridícula,
então guardou o tal bilhete no bolso
e esperou pra entrega-lo.
E foi o que ela fez quando o viu,
colocou aquele bilhete ridiculamente carinhoso,
no bolsa da calça do seu namorado ridiculamente receptivo,
com aquele sorriso ridiculamente encantador,
naquela noite ridiculamente romântica
e foi-se dormir ridiculamente feliz.


=~~

"O amor é o ridículo da vida. A gente procura nele uma pureza impossível, uma pureza que está sempre se pondo, indo embora. A vida veio e me levou com ela. Sorte é se abandonar e aceitar essa vaga idéia de paraíso que nos persegue, bonita e breve, como as borboletas que só vivem 24 horas. Morrer não dói."
Cazuza.

2 comentários:

alexandre henrique disse...

essa frase, me lembrou uma outra de um daqueles filósofos que eu nunca lembro o nome: "a morte é a nadificação das obras humanas". eu chutaria o Sartre, mas não tenho certeza não.
pois bem
foi difícil dizer qual texto eu menos gostei, entre os seus. mas esse, foi o que eu realmente mais gostei. já li-o umas 5 vezes xD. gostei mesmo.
=)
citação, ironia, contradições.
^^

inteh

Lu Morena disse...

Lindo, lindo, lindo. Gostei, muito, mesmo, adorei, tudo!

Ser ridículo pode ser muito gratificante de vez em quando...

Bjins!