quinta-feira, 19 de agosto de 2010

Vai acabar acontecendo, a gente vai se separar, eu estou até vendo... E quando isso acontecer, eu vou virar puta. Sim, puta. Bom, depende do ponto de vista... Se vender o corpo mesmo não precisando de grana for coisa de puta, então vou virar puta. Tudo na vida tem um preço, meu amor, e por que não a minha buceta também? Não quero pagar pra ter você, ou qualquer outra pessoa, quero receber. Sua posição é cômoda, eu quase pago pra você me comer, qual a sua parte nisso tudo? Me dar prazer? Só? Oh, não, darling, isso muita gente é capaz de fazer. Os seus esforços estão pequenos ultimamente, aumente o lance, antes que outro leve.

Porque vai acabar acontecendo, a gente vai se separar e quando isso acontecer eu viro puta, das caras, ou melhor, puta das de luxo, não é assim como se diz?

Vou dar pra quem me levar nos melhores lugares, chupar quem me der as roupas mais caras e rebolar no pau de quem me der as jóias mais bonitas. Que o amor vá pro caralho à quatro. “O amor não enche barriga de ninguém, minha filha”, já dizia meu pai e eu nunca achei que isso fosse servir.

Mas quando você me deixar, sim, é você quem vai me deixar, porque eu, eu afundo com o barco por não deixar de remar e você o que faz? Enquanto eu remo você põe o colete salva-vidas e... Já pulou? Já abandonou o barco? Você sempre foi um covardefilhodaputa.

Eu amo você e isso é o de mais latente em mim e você sabe, eu passaria anos te amando mesmo sem você do meu lado. Eu vou passar um bocado assim que você me deixar e quando eu chegar no fundo do poço, aí vou virar puta.

Porque eu sei fingir um sorriso, você sabe, eu sou uma lady. Vou sair pros melhores lugares, com os figurões empresários que um dia podem até te contratar para alguma das filiais numa pequena cidade no interior do nordeste, te contratar como contador, depois que você se formar nessa sua faculdadezinha de merda. E eu, vou sorrir, comendo caviar ou paeja ou camarão frito e petit gateau, enquanto vocês discutem problemas como falta de subsídios do governo ou política comercial para atingir o público alvo da empresa, na mesa do restaurante do Copacabana Palace.

Depois do jantar eu vou subir com ele, como uma gueixa, quase chupando o velho idiota, que me banca, no elevador. Quase agarrando ele, sussurrando no ouvido dele o quanto eu gostaria de poder tirar a minha roupa ali mesmo e cavalgar no colo dele, porque assim como você, ele também se excita ao ouvir essas putarias que eu digo como ninguém. Vou trepar a noite inteira, ou até ele agüentar, como uma cadela bem paga, agradecendo e fazendo valer o investimento.

Depois, quem sabe, vou chorar no banheiro pensando em ligar pra você, me sentindo usada, suja, vendida, infeliz e tomar um banho demorado tentando me livrar das digitais cravadas na minha pele como as suas unhas, tirando esperma da minha boca, do meu rosto e das minhas pernas. Mas eu vou voltar pra cama, tomar um calmante e sentir o abraço acolhedor que não é o seu e ouvir o roncar do velho daí uns 20minutos.

Meu futuro vai ser brilhantes... Esmeraldas , rubis e marfins, mas vai me faltar algo, é claro, porque você sabe, eu passaria anos te amando, mesmo sem você do meu lado.



Obs: eu estava com saudades daqui.

17 comentários:

Fern. disse...

Que bom que você estava, porque nós também estávamos com saudades de você!
Esse ficou visceral, muito bom!Como sempre!
Beijos, sua linda! =*****

Ly disse...

Ficou genial, amiga!!!!
Arrasou. Até dá pra visualizar a cena e os detalhes.
Saudade de vc! Parabéns.

Ju Fuzetto disse...

Intenso


Cada sentimento pulsando como uma bomba relógio

beijo linda, bom final de semana!!

... disse...

bem passional e sim quando vier a Brasília podemos tomar um café.

Beijos

carlos massari disse...

o amor está morto. a partir daí, cada um enche sua vida do que quiser. mesmo jóias e dinheiro me parecendo simplesmente vazios.

Anna Vitória disse...

Gostei do texto, gostei mesmo.
Também não sabia que você era daqui da próspera província de Uberlândia, haha!
beijos

Nina Vieira disse...

Oi moça
Gostei do texto, de ousadia extrema e tapa na cara também.
Amor como um lixo.
Desamor.

Nicole f disse...

sabia que um dia há muito tempo, quando eu comecei a ler seu blog, eu pensei: pô, o dia em que ela comentar no meu blog vou ficar muito feliz. sério, eu adoro o que você escreve e escreve tão bem que eu ficava pensando putz essa menina é um gênio.
aí você aparece lá no meu blog e além de comentar, é super fofa e ainda diz que gosta do que eu, uma humilde principiante escrevo.
não sei nem o que dizer, só que sou uma fãzona e que você precisa aparecer mais :*

dany disse...

"Mas quando você me deixar, sim, é você quem vai me deixar, porque eu, eu afundo com o barco por não deixar de remar e você o que faz?"

adooorei essa parte, gostei do texto todo na verdade!

beijinho!

Cláudia I, Vetter disse...

pois justo o melhor é a sutileza do incontestável.

;**

Amar é foda. disse...

olá, deu até pra sentir uma raiva embutida nesse texto. mto bom. bjos

neide_ps@hotmail.com.br disse...

achei o texto muito forte erotico demais e alguma parte erotico e apelativo mas mesmo asssim gostei so acho q algumas partes deveriam escritas com outro vocabulario mas mesmo assim fico legal mas nao do meus preferido vc pode mais q isso

Robin K disse...

Adorei o texto.
Muito intenso mesmo.
Adorei.


Saudades suas.

Lucas D'Erasmo disse...

Muuito bom!
Uma pitada de revolta e desilusão, mais um sabor romantico!!
Parabens

bruna disse...

Eu adoro quando escrevem sem pudores
Adorei o texto
Vê se volte
Tem coisa nova no meu
Beijos

Eduardo Humbertto disse...

Muito forte! Arrebatador. Muitos sentidos se entrelaçam e cada leitor tira o que melhor lhe parecer, ou melhor se identificar.

Gostei e quero um dia conseguir trazer essa visceralidade para a minha escrita. Não conhecia essa sua façanha literária.

Por favor, continue escrevendo...

Tenho novos escritos no blog, aguardo sua visita e comentários.
Beijo.

Tiago disse...

é um comentário sujo e nada inteligente.
mas eu quero ser o velho.
rs...

na verdade, se fosse para escolher o personagem, seria a mulher.

se fosse a vida real, o próximo homem que curaria tudo isso.