domingo, 6 de abril de 2008

Sobre Confusões.

Não que ela quisesse estar em algum lugar especial, ela só não queria estar ali. Naquela sala cheia de gente dispersa, onde se podia contar nos dedos as pessoas que realmente queriam saber da inserção da Economia nas Ciências Sociais. E enquanto o homem de cabelos quase calvos falava a frente de todos, alguns mexiam em seus celulares, mp5 e tecnologias do escambal a 4, outros simplesmente fingiam que ouviam e outros liam ou escreviam como ela. Talvez quem estivesse ali na frente nem percebesse ou nem ligasse, não faz mal.
Não que ela soubesse o que queria que ele dissesse, só não queria que ele tivesse dito aquilo ali. Aquilo que ela cabisbaixa e concentrada lia durante a palestra. Ela só esperava mais, e sabe como dói esperar mais do que se pode receber? Dói como rejeição, como esforço que se torna inútil por não ser reconhecido. Dói como pisar em pregos, dói como a incapacidade de se dar por inteiro, e dar sempre menos do que o outro precisa, mas isso ela não entendia porque ela era todo amor, ela era toda entregue.
Não que ela não entendia que existissem formas diferentes de amar, só não achava que esse fosse o caso. Não achava ser provável a hipótese de ele amá-la de um jeito diferente. Porque amor é amor. E de maneiras diferentes enlouquece, desmancha, destrói, enfraquece. E ela não via isso nele, não sentia isso nele. Mas isso , como ele dizia na carta, doía nele também e o enlouquecia, o desmanchava, o destruía, o enfraquecia.
Não que eles não se dessem bem, só não se entendiam.
Não que eles não se aceitassem, só que se esclareciam.
Não que eles não pudessem ficar juntos, só... Não nasceram para isso.

9 comentários:

Fernando Rozano disse...

não por acaso amar é um verbo intransitivo. lembrei de Mário de Andrade. belo texto. abraços.

L u i s P e s t a n a disse...

Adrielly,

Uma "confusão" foi o meu link ao lado:)

Obrigado por o colocares, mas está mal, pois tem o http repetido;)

beijoca

Ricardo Almeida disse...

Lindo o texto! Forte, doído. O segundo parágrafo, então, é primoroso! Foi bom receber de novo tua visita ao Poesia Residual. Continue transformando a dor nessas coisas lindas que vc escreve. E, depois da escuridão, sua matéria-prima vai ser a felicidade. Tenho certeza. Tudo vale a pena.
bjs

♥M@cellY♥ disse...

"Não que eles não pudessem ficar juntos, só... Não nasceram para isso."
Triste as vezes, mas real...

Bjo grande, não suma!!!

Fernanda disse...

Amor é amor.
Não tem meio termo.
Não tem amar pela metade.
Não tem amar sem querer.
Só vc sabe disse dizer.

Beijuuuu!

Kaká =D disse...

"Não nasceram para isso."
Não soh para o amor...
Estranhu naum?
Estranhu como a gente sempre pensou que todos nascem pra amar, ou melhor, todos nascem pro amor, mas nem sempre se dão bem com ele.

=*teamu

Fernanda disse...

Oi meu amor!!!
Como vc tá??
E quais são as novidades do tal buraco?? Recebi a msg! hehehehe
Ó, to com saudade de te ler!!
E de conversar tb =P

Apareça, porque a parte do crescer já foi, xuxu!! =D

Beijoooo

Lu Morena disse...

Amor é um tema bom por sua complexidade. Como a maioria dos sentimentos, não basta que a gente sinta ou entenda ou saiba ser possível. Entender que há formas diferentes de se amar não significa que a gente possa sentir esse amor que é diferente do nosso. Às vezes também, não é porque a gente sente que ama que entende isso. Sempre a velha discussão entre razão e sentimento...
Esperar mais do que se pode receber dói mesmo, como também dói dar menos do que o outro espera (ai, fiquei com vontade de escrever, ou melhor, de ler - que é muito mais fácil - o outro lado da história!).
Adorei a conclusão "Não que eles não pudessem ficar juntos, só... Não nasceram pra isso". Acho que é comum, né?! A gente querer uma coisa e até poder fazê-la, mesmo sabendo que não vai dar certo, que nunca vai funcionar no mundo real. Chega, vou parar o comentário antes que apele pra idéias platônicas.

(acabaram minhas provas ainda agora e finalmente tenho tempo pra ler e comentar!!! vou me atualizar)

Beijinhos!

Tiago disse...

cada dia eu fico com mais raiva de você,
como se esses textos fossem uma espécie de maldição, feitas somente com o objetivo de me levar cativo.
eu já perdi a vontade de falar de um texto, ou de outro, eu quero encardenar você, te colocar ao pé da minha cama, ler, reler biblicamente. folhear, o simplesmente te colocar sobre meu peito e dormir.
isso dói,

"dói como a incapacidade de se dar por inteiro"